Com chuvas, aterro acumula toneladas de lixo a céu aberto
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terça-feira, 18 de fevereiro de 1997
Luka Morais 
Paulo WolfgangÉ lixo sóMais de 300 toneladas são despejadas por dia no aterro sanitário: compactação, apenas quando área secarToneladas de lixo a céu aberto. É assim que se encontra o aterro sanitário (Lixão) de Londrina, que ocupa uma área de 19 hectares localizada às margens da estrada do Limoeiro, na zona sul da Cidade. O problema, segundo a Autarquia do Meio Ambiente (AMA), é causado pelas chuvas que impedem, desde o início do ano, a entrada das máquinas no local para fazer a compactação do lixo e cobertura com camadas de terra. Todos os dias, são despejadas no local 300 toneladas de lixo doméstico.
O diretor-presidente da autarquia, Nelson Kohatsu, diz que o problema só vai ser resolvido quando houver estiagem e o local onde está acumulado o lixo estiver totalmente seco. Ele afirma que a autarquia tentou iniciar os trabalhos mas a máquina que esparrama o lixo ficou atolada. O problema é que, junto com o lixo doméstico, vêm latas e objetos, que retêm líquidos. Quando a máquina passa sobre esse material, a área volta a ficar molhada, explica o diretor.
Além do lixo a céu aberto, que causa proliferação de insetos e mau cheiro, há ainda o problema da água das chuvas que cai sobre o amontoado de resíduos domésticos e se arrasta terreno abaixo. Fica impossível evitar que a água com chorume que desce pela tubulação se misture à água de outros encamentos e chegue até o Córrego dos Periquitos, admite o geógrafo da AMA, Wladmir Cesar Fuscaldo. As águas do córrego deságuam na bacia do Rio Tibagi. Mas o diretor-presidente da AMA nega que esteja ocorrendo a poluição do córrego. A água que desce fica na lagoa de contenção, assegura Kohatsu.
Toda a área onde é depositada o lixo doméstico tem drenos que canalizam o chorume para a lagoa de contenção, que fica na parte baixa do terreno. Com as chuvas, o nível da lagoa subiu além do normal. Só não houve o transbordamento do chorume, que não recebe tratamento, porque os técnicos da autarquia elevaram por três vezes a altura da barragem.
Paulo WolfgangKohatsu, da AMA: emergência
Outra medida emergencial foi a perfuração de valetas na parte alta do terreno, para evitar que a água das chuvas chegue até o aterro. Isso foi feito depois que a parte por onde era feita a descarga de lixo acabou se transformando num lago. A AMA teve que alterar o local do despejo, que passou a ser feito na parte elevada do aterro sanitário.
Verificando a imensidão de lixo amontado a céu aberto, Kohatsu diz que não é bonito mas garante que a AMA mantém a situação sob controle. Os técnicos percorrem a área todos os dias. O diretor afirma que, assim que o tempo permitir, a AMA dará inícios aos trabalhos para readequação do aterro. Está prevista a construção de mais uma lagoa de contenção de chorume. Vamos ver a possibilidade de fazer o tratamento dos resíduos que poderão até retornar ao meio-ambiente, disse.
O aterro sanitário começou a ser utilizado em 1977. No início da administração anterior, passou por um projeto de readequação. Foi destinada uma área específica para armazenagem de lixo hospitalar, que é recoberto por camada de cal. Também foram construídos uma lagoa de chorume e depósito para lixo doméstico, que passou a ser compactado, coberto por terra e revitalizado.
Segundo a direção da AMA, a vida útil do Lixão é de mais três anos. A autarquia já tem estudos indicando a zona sul como a mais provável para a implantação de um projeto de reclassificação e compostagem do lixo doméstico. Os equipamentos da usina estão orçados em R$ 1,3 milhão. Kohatsu comentou: O problema é que temos que definir uma área onde não haja comprometimento ao meio-ambiente e ao desenvolvimento da Cidade.


