Em 2013, o Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) completa cinco anos de atuação no Estado. Embora o trabalho especializado tenha auxiliado na promoção de mais segurança nas instituições estaduais, o efetivo ainda insuficiente não é motivo de comemoração. Para professores e diretores de colégios estaduais de Londrina, que participaram ontem da celebração pelos cinco anos de atuação da Patrulha, faltam policiais para atender com qualidade todas as instituições.
"Eles fazem milagre todos os dias com poucos profissionais. Muitas vezes, precisamos de atendimento e eles não podem estar lá no momento, porque estão em outro colégio cuidando de uma outra situação e isso atrapalha", conta a pedagoga e professora do curso de formação de docentes do Instituto de Educação Estadual de Londrina (Ieel), que tem aproximadamente 2 mil alunos nos ensinos Fundamental, Médio e Profissionalizante.
No Colégio Hugo Simas, com de dois mil alunos dos ensinos Fundamental e Médio, o professor de Educação Física e auxiliar da direção do período noturno, João Batista Raminelli, revela que as principais ocorrências geralmente acontece nos horários de intervalo e saída dos alunos.
"O trabalho deles é muito importante e fazem o possível para realizá-lo da melhor forma possível, mas o grande problema é que eles só podem passar cerca de uma hora em cada colégio e isso não é suficiente. A maioria dos problemas ocorre quando os alunos estão aglomerados no pátio e acabam formando rodinhas de briga ou na volta do caminho para casa", contou Raminelli. "Deveria ter, pelo menos, uma dupla de policiais atuando em cada escola em tempo integral, dessa forma, as mediações dos conflitos seriam realizadas assim que começassem as discussões." A cerimônia de aniversário da Patrulha Escolar foi realizada ontem de manhã, no Hugo Simas.

Gentileza
Atualmente, o BPEC conta com 16 policiais atuando em 75 colégios estaduais de Londrina, segundo o comandante da 4ª Companhia de Patrulha Escolar, capitão Walter João Marques Luiz. Além de Londrina, o Batalhão é responsável por outros municípios do Norte e Nordeste.
O comandante não especificou o número de policiais atuando nesses municípios, mas reconheceu a falta efetivo para atender todos os colégios. "Precisaríamos de mais com certeza, nossa esperança é que com a contratação desses últimos 5 mil bombeiros e policiais militares pelo Governo, também sejamos beneficiados", disse, se referindo ao concurso que o Estado está realizando.
Além das rondas diárias e do trabalho repressivo, o BPEC realiza atividades educativas preventivas, com a promoção de palestras sobre os mais variados assuntos.
Neste ano, capitão Luiz detalha que os policiais estão abordando a importância da prática da cortesia e gentileza. Em anos anteriores, os alunos também assistiram a palestras sobre a importância do respeito aos amigos e professores; consequências do bullying; os prejuízos do hábito de matar aulas, entre outros temas. Cada palestra dura, em média, 15 minutos. Cada dupla de policiais realiza 53 palestras por semana e visita aproximadamente 10 colégios por dia.
É este trabalho preventivo que faz com que pelo menos 97% dos atendimentos sejam exclusivamente de orientação e 3% deles de repressão, segundo o capitão. As principais ocorrências atendidos pelo BPEC, de acordo com o capitão, são brigas entre os próprios alunos. Em seguida, o consumo e tráfico de drogas no horário de entrada e saída do colégio.

Responsabilidade
Mesmo com o trabalho educativo, o comandante lembra que somente a Patrulha Escolar e os professores não devem ser responsáveis pela disciplina dos alunos. "Muitas das brigas entre alunos começam geralmente em redes sociais com provocações de um adolescente ao outro. Se os pais acompanham isso de perto e estão atentos às crianças, o problema não se agrava", completou.
O policiamento escolar surgiu em 1994 com a denominação de Patrulha Escolar, composto exclusivamente por policiais femininas. Em 2008, o policiamento escolar foi reunido sob um comando único, e passou a denominar-se Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária, constituído por quatro companhias, localizadas em Curitiba; Foz do Iguaçu; Maringá e Londrina.

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