O pagamento dos servidores municipais foi creditado integralmente na conta corrente ontem à noite, com dois dias de atraso. O salário deveria sair no último dia útil do mês, mas, devido às dificuldades financeiras da Prefeitura, será pago somente hoje.
O secretário municipal da Fazenda, Luis César Guedes, diz que até o dia 28 do mês passado o caixa da Prefeitura estava com um saldo de R$ 3,2 milhões, sendo que faltavam R$ 1,2 milhão para completar a folha de pagamento, o que foi conseguido com a arrecadação de impostos e taxas municipais. ‘‘Nos dois últimos dias do mês tínhamos expectativa de maior arrecadação, em função da dívida ativa e do ISS’’, observa.
O prefeito Antonio Belinati (PDT) diz estar feliz por ter efetuado o pagamento. Ele observa que muitas prefeituras estão em uma situação delicada, com várias folhas em atraso. Em Londrina, há cerca de 6.400 funcionários municipais.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). Gláudio Renato de Lima, informa que obteve a confirmação do pagamento ontem pela manhã. ‘‘O Guedes ligou para o Sindicato e deu a informação’’, relata. Com isso, o Sindserv decidiu desmarcar a assembléia que estava programada para acontecer ontem, às 18 horas, na Supercreche (área central). Na assembléia, os funcionários iriam definir que medidas iriam tomar se o pagamento não fosse creditado ontem.
Neste ano, a administração atrasou o pagamento dos funcionários várias vezes e recorreu a empréstimos bancários para completar a folha. A primeira vez aconteceu em março. O funcionalismo recebeu o salário referente a aquele mês somente no dia 3 de abril. A alegação da administração, na época, foi queda na arrecadação de impostos. O salário de abril também foi creditado com atraso.
Já o pagamento de agosto foi antecipado e creditado no dia 27. Cada um dos funcionários recebeu R$ 750,00, o que significou que 71% dos servidores receberam seus salários integralmente. Na época, o secretário da Fazenda explicou que a antecipação foi possível graças a recursos próprios - cobrança de impostos e Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Luis Guedes observa que esta é a 11ª folha de pagamento que a atual administração paga. Isso porque em janeiro a Prefeitura teve que pagar o salário de dezembro e o 13º salário, que estavam atrasados. ‘‘Se não tivéssemos que pagar estas duas folhas não teríamos atrasado nenhum mês e ainda estaríamos com recursos’’, ressalta Guedes. Devido àquele atraso, os funcionários fizeram uma greve de 12 dias, encerrada no dia 2 de janeiro.
Já prevendo dificuldades para quitar o 13º salário do funcionalismo, a Prefeitura irá pedir um empréstimo de R$ 5 milhões a alguma instituição financeira. Projeto de lei do Executivo pedindo autorização do Legislativo para contrair o empréstimo será votado em segunda discussão na próxima segunda-feira.

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