Com as próprias mãos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Micaela Orikasa<BR> Reportagem local 
Foi-se o tempo em que costurar em casa era tarefa de avó. Hoje em dia, essa habilidade é sinônimo de economia, originalidade e até complemento para o curso superior. Essa mudança, que se deu ao longo de dez anos, é lembrada por Márcia Regina Chenço Britto, proprietária e professora de estilo e criação de uma escola em Londrina, que oferece 30 cursos na área de educação profissional em moda.
''As opções de profissionalização mudaram muito, principalmente a partir de 2002 quando foram surgindo cursos muito mais definidos. Antes, há uns 20 anos, quem quisesse aprender a costurar tinha que frequentar a casa de senhoras'', conta Márcia, que teve seu primeiro contato com a costura aos 14 anos.
Cinco anos depois, ela se tornou a primeira professora de moda em Londrina, no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e se especializou em Moda e Comunicação em São Paulo. ''Sempre tive vontade de aprender para costurar minhas próprias roupas. Hoje, também tenho minha marca própria de roupa feminina em tamanhos especiais'', diz.
Ainda de acordo com a professora, para quem deseja ingressar na área é preciso ter um mínimo de aptidão. Para ela, algumas pessoas têm mais facilidade, mas isso não significa que as demais não possam ingressar no trabalho das linhas e agulhas.
Habilidade
Na família de Haydee Jacqueline Gonçalves, 22 anos, isso não é o problema, pois a habilidade e paixão pela arte de costurar vem desde os tempos de sua avó. ''Todas as mulheres da minha família sabem costurar e algumas também fizeram curso. Graças a isso, hoje conto com a máquina da minha mãe, que está bem velhinha, mas nunca me deixa na mão'', brinca.
O gosto por confeccionar a própria roupa surgiu na infância. Haydee lembra que brincava de criar as roupinhas das bonecas e adorava assistir aos desfiles de moda na televisão.
''Eu queria ter aqueles vestidos, mas sabia que não teria dinheiro suficiente para comprá-los. A partir daí, passei a pensar em estudar corte e costura'', conta ela, que também se matriculou por um segundo motivo. ''Tenho 1,80m de altura e sou magra demais. Para encontrar uma roupa que me sirva e fique legal, era uma luta. Hoje, faço tudo na medida'', diz orgulhosa.
As peças de própria autoria ainda são poucas, mas como Haydee mesmo diz, é um ótimo começo. ''Fiz uma calça, uma saia, um bolero e um colete. O curso está atendendo todas as minhas expectativas, além disso, é muito gostoso costurar. O resultado te empolga e o processo de confecção é uma terapia'', afirma.
Haydee ainda não pensa em costurar comercialmente, mas não descarta a possibilidade. ''Tenho um novo aprendizado, que se um dia eu precisar, vai me ajudar economicamente'', diz.


