Colunista social é preso por achaque
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Antonio Almeida, conhecido como Magal, dono da Revista Estado, e que até recentemente assinava coluna social em um jornal de Cascavel, foi preso ao meio-dia de ontem após uma tentativa de extorsão contra a Prefeitura de Cascavel. Magal teria pedido R$ 50 mil para não espalhar pela cidade folhetos com acusações genéricas ao prefeito Salazar Barreiros (PPB).
Magal (que não quis revelar a idade) foi preso em flagrante pelo Serviço Reservado da Polícia Militar, quando saía do gabinete do secretário, com um pacote com os R$ 5 mil, em cédulas que haviam sido xerocadas pela prefeitura. A prova principal é uma fita de vídeo, gravada com uma câmera escondida no compartimento de um aparelho de aráááá-condicionado.
O colunista social, muito conhecido na cidade, imprimiu um folheto, com o nome da Revista Estado, e o levou
ao secretário, dizendo que queria os R$ 50 mil para não imprimir 50 mil cópias e distribuí-las no Estádio Olímpico, ontem à noite, durante jogos do Pré-Olímpico, e durante o Show Rural Coopavel, que atrai milhares de agricultores no início de fevereiro.
Consta no panfleto que Salazar Barreiros emprega parentes na prefeitura e menciona problemas envolvendo menores em uma instituição coordenada pela esposa do prefeito, Idalina Barreiros. Tudo isso já foi noticiado e trata-se de assuntos antigos.
Segundo o secretário municipal de Comunicação Social, Júlio César Fernandes, Magal disse que tinha atrás de si um grupo político, apoiando-o na impressão dos panfletos. Se recebesse o dinheiro, identificaria os integrantes do grupo.
Para gravar a conversa durante tempo mais prolongado (a fita tem 21 minutos), o secretário fingiu que o valor pedido seria pago, e propôs seu parcelamento, inicialmente com os R$ 5 mil, outra parcela de R$ 10 mil e o restante nas próximas semanas. O áudio da fita é de má qualidade, mas as imagens são nítidas, inclusive no momento em que Magal recebe o envelope com o dinheiro das mãos de Júlio César Fernandes. A fita será submetida a perícia e o áudio deve ser depurado em estúdio especializado.
A pena para extorsão é de 4 a 10 anos de reclusão. Como foi preso em flagrante, Magal só poderá ser posto em liberdade (para responder inquérito) por ordem judicial. Ele exigiu não ser fotografado atrás das grades, mas deu à Folha sua versão para o caso, falando em tom agressivo. Foi uma armação, eles é que mandaram me chamar na prefeitura para fazer um acerto para não divulgar os fatos, que são verdadeiros.
Com Magal, foi conduzido para a Delegacia um automóvel Mitsubishi que usa, com placa de São Paulo (SP), e que está em nome de outra pessoa. O colunista disse ser dono do carro
(que está sendo investigado) e que não o transferiu para seu nome apenas porque sou um cara perseguido por multas.
A Associação dos Jornalistas de Cascavel (AJC) emitiu nota no final da tarde, elogiando a atuação da prefeitura no flagrante (informado previamente ao prefeito em exercício, Eduardo Marassi-PFL). A entidade já havia conclamado empresários e políticos a denunciar tentativas de extorsão de que se diziam vítimas sem que identificassem os autores e partidas de pessoas que atuam na Imprensa (veja texto ao lado).





