Coluna social é ícone da renovação do papel feminino
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de março de 1998
Isabela França 
Também nos jornais a mulher vem conquistando seu espaço nos últimos anos. E nas colunas sociais, onde os nomes femininos costumavam ser vistos com mais assiduidade que nas demais páginas, mudou o perfil das protagonistas da cena. Reflexo da vida como ela é. Abriu-se espaço para a mulher que atua e faz movimentar a sociedade, em detrimento da dondoca.
Frequentadora das colunas sociais de Curitiba há três décadas, Lylian Vargas assistiu de camarote a essa transformação. Hoje diretora de marketing do Shopping Crystal, Lylian lembra que, até os anos 70, a mulher só era vista com bons olhos pela sociedade na função de mãe e dona-de-casa. Foi a necessidade de complementar a economia doméstica que fez os machistas abrirem o flanco, diz.
A mudança garantiu autonomia às mulheres, que passaram a ser registradas nas colunas por seus próprios nomes e não mais como a senhora fulano de tal. Ganharam destaque a competência profissional e a performance social, deixando mais esquecidos os dotes físicos, culinários e afins. E assim foram aparecendo as artistas plásticas, as estilistas, as arquitetas, as executivas, as empresárias, e o colunista social ganhou uma enormidade de novos adjetivos para o seu vocabulário, antes restrito às belas, elegantes, simpáticas e graciosas socialites.
Na esteira desta evolução, a rainha das socialites brasileiras, Carmem Mayrink Veiga, viu-se obrigada a mudar. De um ano para cá, ensina mulheres - e muitos homens - a atuar na cena social. Entre as suas lições de como vestir-se, portar-se, receber, arrumar mesa etc, está lá: fazer por merecer destaque.


