QUERÊNCIA DO NORTE - Os ribeirinhos que no final da semana passada ocuparam a praça central de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) com 170 cabeças de gado fizeram ontem uma passeata em protesto contra o Incra. Eles ameaçam entrar na Fazenda Sonho Real, onde existe um acampamento do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com mais de 100 famílias.
Os líderes dos ribeirinhos alegam que a superintendente do Incra, Maria de Oliveira, prometeu estar ontem na cidade para negociar com as 40 famílias. Como ela não apareceu, as famílias que estavam acampadas na praça decidiram fechar o comércio e levar os animais para as ruas. O delegado de Querência do Norte, Luiz Alves da Silva, disse ontem que o protesto foi tranquilo e que apenas algumas lojas comerciais fecharam as portas em apoio aos ribeirinhos.
O problema entre as famílias ribeirinhas e os sem-terra começou há cerca de três anos, quando o MST fez a ocupação da Fazenda Pontal do Tigre. Parte da propriedade, nas margens do Rio Paranapanema, era ocupada pelos ribeirinhos. No processo de desapropriação, a área ficou toda para os sem-terra, e os ribeirinhos ficaram como excedentes, com a promessa do Incra de assentá-los na primeira propriedade desapropriada na região.
Em agosto do ano passado, os ribeirinhos, junto com outras famílias de sem-terra, invadiram a Fazenda Sonho Real. O Incra negociou a retirada de todos da área, com a promessa de desapropriar a fazenda. Antes de qualquer decisão, os sem-terra voltaram para a Sonho Real, o que desagradou aos ribeirinhos, que prometem ocupar a área mesmo com a resistência das famílias do MST que estão na propriedade.

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