Colônias de férias resistem ao início das aulas
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Capacidade de viver em grupo, de refletir sobre os problemas da comunidade e, como tem de ser, de participar de toda forma de recreação que a imaginação e o fôlego possam suportar. É com essa idéia que duas colônias de férias voltadas a crianças e adolescentes de Londrina têm trabalhado na semana que já marca a volta às atividades escolares. Apesar do calendário, os organizadores garantem que os resultados são bastante satisfatórios.
Segundo o coordenador do Núcleo de Atividades Físicas (Nafi) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), professor Marcelo Galhardo, a colônia organizada há anos nessa época, no Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), não cumpre papel meramente recreativo ou de lazer; vai além: ''Os cerca de 70 crianças e adolescentes (dos 4 aos 12 anos) que participam aprendem não só a se socializar, em grupos, como também lidam com a independência dos pais e a responsabilidade com suas próprias coisas'', explicou. Segundo Galhardo, a coincidência do início da colônia com o do ano letivo da rede municipal (que voltou às aulas anteontem) não pôde ser evitada em função do atraso no calendário da UEL, graças à última greve. ''Mesmo assim, não sofremos com a falta de espaço anterior. Estão participando agora os filhos de funcionários e professores, além de outras crianças da comunidade externa'', explicou.
Distante dali, no Conjunto Eucaliptos (Zona Leste), outra colônia de férias também tem procurado levar não apenas diversão às crianças atendidas do bairro, mas também noções de cidadania. ''O Conjunto não tem praças, campo ou quaisquer outras áreas de lazer, e nem todos têm dinheiro para cinema ou o transporte até o Zerão (Área Central)'', contou a presidente da associação de bairro do local, Leoni Alves Garcia. ''Aqui na colônia (que funciona no salão paroquial da igreja do bairro) eles não só se divertem fora das ruas ou da TV, como ainda conversam sobre as necessidades do Eucaliptos'', acrescentou.
Leoni comentou também que, ao fim das atividades, na próxima sexta-feira, as cerca de 150 crianças participantes escolherão entre si uma que as representará nas reuniões da associação, levando reclamações dos pequenos para futuras melhorias. ''Desde o início dessa primeira colônia, na segunda-feira, eles já fizeram pinturas que representassem o que faltava ao lugar onde moram'', acrescentou. E o resultado? ''Segurança e lazer. Os desenhos mostraram muita necessidade delas. E como 2004 é ano eleitoral, é essencial essa educação comunitária para que saibam o que os políticos prometem quando batem em suas portas pedindo votos''.


