Colônia Penal terá 20 dias para pagar multa ao IAP
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quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Maigue Gueths<br> De Curitiba 
A polêmica sobre a retirada - ou não - da criação de 400 porcos na Colônia Penal Agrícola, situada em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), deve persistir por pelo menos mais 20 dias. É este o prazo dado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para que a unidade penal pague uma multa de R$ 5 mil por não ter retirado os suínos da área ou entre com recurso contra a penalidade. A coordenadoria da Colônia e direção do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), no entanto, ainda esperavam um contato com técnicos do IAP ontem mesmo para apresentar um projeto que permitiria a manutenção da suinocultura na região.
A retirada dos suínos foi determinada pelo IAP em agosto por estar contaminando a represa do Iraí - responsável pelo abastecimento de água de 70% da população da Grande Curitiba. Segundo a assessoria de imprensa da Sanepar, que está coordenando um conjunto de 33 ações de despoluição da represa, a empresa está aguardando uma solução para o impasse o mais rápido possível. A eliminação de pontos de lançamento de esgoto dentro da represa é ação prioritária da Sanepar, uma vez que os resíduos orgânicos são a principal fonte de nutrientes para a proliferação de algas no lago. Estas algas, chamadas de cianofíceas foram a causa das alterações de cheiro e gosto da água distribuída em Curitiba.
O engenheiro agrônomo Ednei Bueno do Nascimento, presidente da Câmara Técnica do Iraí (órgão de gestão da APA Iraí), não vê nenhuma possibilidade de se continuar com a suinocultura naquele terreno. ''A Colônia está numa Àrea de Preservação Ambiental (APA) e os porcos vão contaminar a água de toda região'', avisa.
Segundo a engenheira química, Ana Cecília Nowacki, da Diretoria de Estudos e Padrões Ambientais do IAP, os 400 porcos produzem dejetos equivalentes a uma população de 4 a 5 mil pessoas. ''É uma quantidade bastante razoável de resíduos orgânicos que vai poluir a represa'', diz a engenheira. Para ter uma idéia, é como se o esgoto de um município de 5 mil habitantes estivesse sendo despejado direto na represa.
''É preciso toda a atenção no lançamento de efluentes de matéria orgânica na represa porque eles são o principal alimento das algas'', avisa, lembrando que existem tipos de espécies de algas ''com potencial extremamente tóxico''.


