Marcos Negrini





Tradições mantidasDescendentes dançam o Bon Odori em homenagem aos antepassados; o casal Léa e Ewerthon coloca nome em português e em japonês na filha: Fernanda Mike, que significa esperança; Maria Rosa e Milton adotam a educação oriental em casa para lidar com os filhos adolescentes.


Eles chegaram em Maringá no início da década de 50, quando o povoado ainda era distrito de Mandaguari. Hoje, representam uma das mais significativas colônias japonesas do Estado. Atualmente vivem na cidade cerca de 3,5 mil famílias e aproximadamente 17 mil descendentes, que lutam para preservar a cultura japonesa.
Do esforço para manter a tradição oriental surgiu, por exemplo, o Festival Nipo-Brasileiro, que também tem o objetivo de garantir maior integração com a comunidade. O festival chega na oitava edição este ano e será realizado entre os dias 6 e 14 de setembro (veja a programação nesta página).
Manter a cultura e difundir os valores dos rituais japoneses têm sido o principal desafio dos descedentes da terceira e quarta geração, os sanssei e yonssei. Já inseridos na comunidade brasileira, a maioria dos jovens descendentes não fala e não entende a língua japonesa, com exceção de uma meia dúzia de palavras que são usadas pelos avós e bisavós dentro de casa.
Mas não é só a dificuldade da língua que afasta os descendentes de suas origens. Em muitos casos, os jovens que frequentam boates e bailes country assumem uma postura cada vez mais irreverente. Simplesmente não se interessam em entender a cultura e trocam as aulas de ikebana (arranjos florais) ou a dança do bon odori (uma reverência aos antepassados) por outros programas como aulas de sapateado, passeio em shoppings ou por um descontraído encontro com amigos em bares agitados da cidade.
A terceira e quarta geração de descendentes japoneses cresceram ouvindo música pop e rock e não têm constrangimento em assumir a sua ‘‘brasileirice’’ diante dos costumes dos descendentes mais velhos. Hoje eles já não têm traços tão marcantes da raça japonesa devido a miscigenação e exibem seus olhos pouco puxados com a maior naturalidade.
O nissei (segunda geração de descendente) Willy Taguchi, 38 anos, sugere uma explicação para o distanciamento dos jovens descendentes da cultura japonesa. Ele afirma que existe uma lacuna entre os japoneses que ajudaram a colonizar Maringá e os descendentes das duas primeiras gerações.
‘‘Pela dificuldade da época, e neste contexto deve-se levar em conta o fato de que o Japão não tinha a mesma importância de hoje como potência econômica, a geração mais velha se sentia discriminada no Brasil e não teve a oportunidade de repassar a cultura milenar aos seus filhos’’.
Para não deixar que os costumes da colônia se percam no tempo, começa a surgir em Maringá um trabalho de conscientização que tenta reaproximar os jovens descendentes da cultura japonesa. O yonssei Flávio Hidiejuki Inumaru, 20 anos, é um dos mais entusiastas nesta tarefa de resgatar as tradições da raça. Ele é presidente do grupo de jovens da Igreja Seicho-No-Iê e lidera um trabalho para difundir os rituais japoneses entre os descendentes de sua geração.
‘‘Muitos descendentes não gostam de mostrar o lado nihonjin - pessoa japonesa - mas eu tenho orgulho de mostrar o meu nihonjin’’, diz.

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