Colônia é sonho de todo preso em regime fechado
Alguns deles já fugiram da Colônia, mas é nela que eles depositam esperanças para curar as sequelas físicas e mentais provocadas pela cadeia. Condenado a 20 anos de prisão por um assalto que resultou na morte de um comerciante em Campo Mourão em 1980, Arnaldo de Oliveira passou 17 dos seus 37 anos na prisão. A primeira vez que foi transferido para a Colônia foi em outubro de 91. Fugiu 40 dias depois e foi recapturado em junho do ano seguinte.
Arnaldo voltou para o regime fechado e assim ficou por seis anos. Conseguiu regressar para a Colônia no dia 17 de junho. Agora, quer publicar um livro de poesias e diz que está desenvolvendo um material que vai revolucionar o setor da construção civil. Por enquanto, diz, é segredo.
As aves criadas na Colônia despertam a sensibilidade de Deoclides Ferreira de Melo. Ele tem 53 anos e está na Colônia desde agosto de 95. Deoclides, que marcou a vida com um homicídio, se considera um preso modelo. Diz que sempre procurou regressar no prazo quando conseguia obter licença para visitar os quatro filhos. A condicional deve sair ainda nesta semana.
Vando Pinheiro, 27 anos, cumpriu seis anos em regime fechado por causa de um homicídio. Ele já fugiu da Colônia e permaneceu fora quatro meses. Hoje é pastor de ovelhas. Já o ex-cobrador de ônibus Antônio Carlos Testa Sabino, 22 anos, assaltou seis estações-tubo. Foi condenado a quatro anos e oito meses. A sentença saiu em maio e Antônio se apresentou para cumprir a pena. Quero sair daqui sem dever nada para a Justiça. Não tenho interesse em fugir, garante.
Ele já cumpriu 17 anos de prisão em regime fechado. Em abril deste ano foi para a Colônia Penal. Sem vontade de fugir, justificando que o regime fechado é um inferno, Emílio Costa Neto, 33 anos, natural de Londrina, tratou de retornar quando terminou o prazo de sua primeira licença. Emílio disse que já conhece a carceragem e sempre aconselha os amigos a retornar para a Colônia. Se o cara perder esse benefício, ele vai ver o que é prisão, avisa. Na Colônia, ele diz que o detento não tem tempo para pensar em besteiras. O sonho de Emílio é arrumar trabalho, construir uma família e rever a filha de 16 anos. Tive muitos amigos que fugiram, mas todos são fugitivos até hoje, recorda. (D.V.)





