O delegado Erineu Sebastião Portes, do distrito de Alto Maracanã, em Colombo, resolveu adotar uma medida polêmica para tentar diminuir a violência na região: determinou que bares e lanchonetes fechem as portas às 23 horas. Nas regiões mais violentas, a ordem é fechar às 22 horas. ‘‘Constatei que a maioria dos homicídios ocorre nos bares ou perto deles’’, justifica Portes, que assumiu a delegacia há 40 dias.
Segundo ele, a delegacia registra uma média de 300 ocorrências por mês, das quais 25 homicídios e 150 furtos e assaltos. A maioria dos crimes ocorre nas áreas mais pobres, como o Jardim Guaraituba e as vilas Zumbi dos Palmares, Ana Terra e Liberdade. Só nos ônibus que circulam por essas áreas acontecem cerca de cinco assaltos por dia.
‘‘São locais onde há poucas perspectivas de emprego e o consumo de drogas é alto’’, diz o delegado. A polícia está vistoriando os bares e já comunicou a restrição no horário a cerca de 150. ‘‘Encontramos resistências, mas a maioria está cumprindo e no último mês tivemos só nove homicídios’’, diz Portes.
A delegacia de Alto Maracanã tem apenas duas viaturas e 12 policiais, que, além de atender as ocorrências, precisam cuidar dos 21 presos que ocupam as celas.
A estrutura da PM também é deficiente. Em Colombo (que tem 160 mil habitantes) são 53 homens e oito viaturas. O comandante do 17º Batalhão, tenente-coronel Donizete Ribeiro, diz que, mesmo com poucos homens, a PM faz policiamento ostensivo e velado nas áreas violentas e nos ônibus. Há 20 dias, Ribeiro lançou a operação ‘‘Parada Geral’’, que, duas vezes por semana, coloca nas ruas todo o pessoal administrativo do quartel.

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