QUERÊNCIA DO NORTE - Os sem-terra que em agosto do ano passado invadiram a fazenda Sonho Real, em Querência do Norte (113 quilômetros ao norte de Paranavaí), estão impedindo a entrada de arrendatários na propriedade para a colheita da safra de arroz. Os sem-terra querem parte da produção para liberar a entrada das máquinas dos agricultores. Ontem os arrendatários ameaçaram usar a força para garantir a produção. Pelo menos 15% da área de 700 hectares está perdida, segundo eles.
O impasse já dura 10 dias. Armados de foice e facões, os sem-terra se revezam na única entrada da fazenda e liberam apenas a entrada de pessoas. Eles condicionam o andamento da colheita ao repasse de 20 sacas de arroz por alqueire plantado. Os arrendatários se recusam a obedecer à exigência, porque já estariam repassando a renda contratuada à empresa proprietária da fazenda, a Agropecuária Jabur, de Londrina.
A fazenda, de 2.400 hectares, foi invadida no dia 26 de agosto por aproximadamente 250 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A entidade tem até um escritório na cidade, que serve de base para o acompanhamento de outras invasões na região. Nos últimos oito anos, cinco propriedades foram invadidas no município.
Os arrendatários, que já estavam na fazenda quando ela foi invadida, deram prazo até sexta-feira para que os sem-terra levantem a barreira. Do contrário, prometem até usar armas.
O produtor Antônio Pereira dos Santos é um dos que estão desesperados, apesar de não ameaçar com o uso da força. Parte do arrendamento está perdida, devido ao atraso na colheita. Se não conseguir a safra pré-estipulada, ele pode ter bens confiscados pelo banco que financiou o plantio.
A juíza Elizabeth Khater, da comarca de Loanda que abrange Querência do Norte, concedeu liminar garantindo o direito dos arrendatários de fazer a colheita. O advogado dos agricultores, Daniel dos Anjos Fernandes, enviou ofício ontem à juíza e ao secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, solicitando o envio de reforço policial para a região. ‘‘Estou prevendo um conflito a qualquer momento se esta situação perdurar’’, disse Fernandes.
De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), apresentado por Fernandes, a fazenda Sonho Real é a maior produtora de arroz irrigado do Estado. Segundo o advogado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) comprovou que a fazenda é produtiva. A Folha não conseguiu conversar por telefone com nenhum líder do MST em Querência do Norte.

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