Coletivo lotado é rotina em Londrina
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quarta-feira, 01 de abril de 2015
Paulo Monteiro<br>Equipe NossoDia 
Londrina - Ainda está escuro e frio quando a zeladora Zilda Maria Jesus Soares, de 64 anos, chega ao ponto de ônibus do Jardim União da Vitória, na zona sul de Londrina. Às 6h30, de segunda a sexta-feira, ela toma o coletivo da linha 210 em direção ao centro da cidade, onde presta serviço em uma farmácia. "Entro antes das 8 horas no trabalho. Mas saio de casa adiantada para conseguir ir sentada no ônibus e não chegar cansada lá. O ônibus, que já está lotado nesta hora, leva de 40 minutos a uma hora até o Terminal", conta.
Na última segunda-feira, a reportagem embarcou no transporte coletivo de Londrina para conferir de perto a realidade enfrentada pelos passageiros.
Após nove horas de trabalho, dona Zilda encerra o expediente. Já desgastada fisicamente, desta vez tem que retornar para casa em pé no ônibus. "É sempre assim na hora de vir embora. Dificilmente vou sentada. Acho que tinham que colocar mais ônibus na linha para que pudéssemos sentar. Pelo menos no início da manhã e no final da tarde, quando tem mais passageiros", comenta Zilda, que é viúva e mora com os filhos e os netos.
Na mesma linha, o aposentado Bento Freitas Rocha, de 79 anos, também não consegue viajar sentado, apesar de carregar na pele as marcas de tantas décadas. Mesmo assim, agarra firme e suporta bem a agitação do coletivo, chegando sem nenhum arranhão ao seu destino, na zona sul. "Eu não ligo de voltar em pé. Nesse horário não tem jeito. É difícil ter bancos vazios", revela o aposentado, que diariamente vai ao centro, sempre no início da tarde, retornando apenas no final do dia. "Vou até o centro passear, distrair a cabeça e conversar um pouco com os amigos", conta Rocha.
O trajeto entre o Terminal Urbano e o Jardim União da Vitória tem cerca de 10 quilômetros. No percurso, além de trabalhadores, muitos estudantes ocupam o coletivo. Parte é da Escola Estadual Margarida de Barros Lisboa, no Jardim Vilas Boas (zona sul). Apesar de ter apenas 11 anos de idade, o aluno da 6ª série Leonardo de Souza demonstra cansaço. Ele conta que a volta para casa é sempre desconfortável e destaca que, em algumas ocasiões, a lotação é tão grande que até impede o embarque dos estudantes. "Quando está muito cheio, o motorista não para e chegamos mais tarde em casa", lamenta.
A qualidade do transporte urbano em Londrina, no entanto, não é somente alvo de críticas. Tem usuário que elogia o serviço. "Os ônibus estão em condições de atender a demanda da cidade. Principalmente em comparação com a realidade de outros municípios pelo Brasil, como São Paulo e Campinas, onde a situação é bem pior. Aqui a condição do ônibus é até razoável", opina o analista de desenvolvimento Franco Gonçalves.
A "viagem" entre o Terminal Urbano e o União da Vitória levou 38 minutos. O embarque foi às 17h38 e o desembarque, às 18h16.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informou que começou nesta semana uma pesquisa para identificar necessidades dos usuários da linha 210-União da Vitória. Fiscais da companhia estudam a possibilidade de incrementar o número de ônibus e avaliam de perto a situação nos seguintes pontos da linha: Terminal Central e avenidas Duque de Caxias e Guilherme de Almeida.
Em relação ao tempo de viagem entre o Terminal Central e o Jardim União da Vitória, a assessoria acredita que as obras da PR-445 (trecho da linha) estejam retardando a viagem.


