COLETES NÃO PROTEGEM
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de agosto de 2000
Telma Elorza De Londrina 
O problema da falta de dinheiro para aparelhamento das polícias Civil e Militar pode ser exemplificado pelos coletes à prova de impactos comumente conhecidos como à prova de balas , usados na proteção individual nas duas instituições. Na Civil, há falta de coletes para todos os agentes. A Militar, porém, vive uma situação paradoxal. No Paraná, a instituição registra um dos melhores números em termos de disponibilidade do equipamento em relação às PMs do resto do País, com coletes individuais para cerca de 70% do policiamento ostensivo. Em São Paulo, o número não chega a 10% dos policiais. No entanto, a maioria dos coletes está com o prazo de validade vencida há muito tempo.
Segundo um oficial da PM em Londrina, a questão não seria tão grave se houvesse um colete para cada policial no setor operacional, já que, com os cuidados certos, a vida útil poderia ser prolongada. O problema maior é que, como não existe um para cada, não há como cobrar se não estiverem cuidando de forma correta. O pessoal usa, chega da rua, deixa lá até o próximo pegar. Outro problema, segundo ele, é que, por serem incômodos, a maioria dos policiais civis e militares deixa o equipamento dentro das viaturas, expostos ao calor e ao sol. Isso estraga o material com que o colete é confeccionado, explica.
De acordo com o oficial, os equipamentos em piores condições e que deveriam ser substituidos com urgência são os utilizados nos grupos de ações ostensivas do Pelotão de Choque: Grupo de Operações Especiais (GOE), Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone) além do próprio Choque. Os coletes, ali, fazem parte do uniforme e são usados às vezes até 24 horas por dia, ininterruptamente. Mesmo que se tome todos os cuidados para preservá-los, a resistência deles já foi para o espaço há muito tempo, assegura. Segundo ele, 82% dos policiais militares mortos ou feridos em serviço, no Paraná, o foram por disparos de arma de fogo no tórax. Ainda é melhor ter um colete vencido que nenhum, constata.
O delegado-geral da Polícia Civil no Paraná, Leonyl Ribeiro, informou, através da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública, que em meados de 1997, quando era delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, entregou uma remessa de coletes novos aos policiais da região, que ainda não venceram. Segundo ele, já foram feitos pedidos para uma nova remessa, cuja licitação está em fase de tramitação. Segundo a assessoria, Ribeiro não soube informar quantos coletes foram pedidos nem para quais cidades serão distribuidos.
Segundo o chefe do setor de Comunicação Social da Polícia Militar do Paraná, major José Paulo Betes, a Diretoria de Apoio Logístico já está providenciando a substituição dos coletes com prazo de validade vencido. Acho que já está em fase de licitação, diz. Segundo ele, a PM do Paraná não permite uso de material vencido. Existe um controle desse material e, quando há necessidade, é feita a troca. Naturalmente, isso é feito gradativamente, de acordo com o que for vencendo, afirma. O major afirma que a situação não é tão grave quanto denunciada. O uso do colete à prova de impactos é uma determinação do comando geral para policiais em serviço. Todos os que estão em serviço tem um à sua disposição, garante.
Segundo o major Betes, a partir de 1995, quando o governo investiu mais recursos na aquisição de equipamentos de proteção individual, o número de policiais mortos em ação caiu 90%. As poucas vítimas fatais que tivemos de lá para cá foram feridas em áreas como pescoço e cabeça. Isso demonstra que o colete é um equipamento necessário, diz.


