Coleta seletiva vira concorrente e causa revolta
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de abril de 2001
De Londrina 
Os catadores de papel temem perder sua fonte de renda com a implantação da coleta seletiva. Apesar de a Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU) ter a intenção de aproveitá-los na confecção de objetos a partir do lixo reciclado, muitos catadores reclamam de estar perdendo terreno neste ramo e prometem realizar passeata em frente da Prefeitura de Londrina.
Dolores da Silva Moraes, 27 anos, catadora há dois anos, diz que antes de implantar a coleta seletiva, concorrendo com os catadores, a CMTU deveria ter garantido outra fonte de renda para esta população. Desde que os caminhões da coleta seletiva começaram a passar nas casas, nós começamos a ganhar menos, diz.
Em menos de um mês de coleta seletiva, a Prefeitura já triplicou a quantidade de lixo reciclável coletado. Dolores afirma que a vida dos catadores já é difícil com os riscos de doenças e ferimentos (eles reviram o lixo sem nenhuma proteção), com a concorrência da coleta seletiva a situação ficou ainda pior, por diminuir os ganhos.
Os catadores conseguem por dia, segundo ela, entre R$ 3,00 e R$ 15,00. Este dinheiro dá só para comer. Se diminuir mais ainda não sei o que vai ser da gente, disse Dolores. (EP).


