A estudante Natali Franco da Silva mora em uma república com mais duas amigas desde que se mudou para Londrina, há três anos. Para ela e para as amigas, a maior dificuldade em se afastar da casa dos pais reside no fato de ter que lidar com tarefas do dia-a-dia sem a praticidade de móveis ou utensílios domésticos próprios para cada atividade: como se sabe, quase tudo em uma república é adaptado, desde o rack para a TV, feito com tubos de PVC, até o balde de lixo, depositado em um latão furado.
Pelo menos uma parte deste problema, no entanto, foi solucionada quando Natali sugeriu ao síndico do prédio onde morava a adesão ao programa de coleta seletiva implantado na cidade pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Com o programa, Natali e as amigas passaram a fazer um uso mais racional de sacos de lixo e dos instrumentos utilizados para o depósito. ''Deixamos os sacos verdes (distribuídos pela CMTU) já separados com o material reciclável. Agora o lixo orgânico quase não ocupa mais espaço'', afirma.
O exemplo do condomínio onde a estudante reside pode ser facilmente seguido por qualquer outro prédio de Londrina. Segundo o coordenador do programa, José Paulo da Silva, basta uma ligação para a companhia para que o prédio seja cadastrado no projeto e passe a receber, diariamente, as visitas de uma das três organizações não-governamentais (Ongs), responsáveis pela coleta do material. Ao todo, mais de 50 coletores trabalham diariamente no Centro da cidade.
O trabalho realizado pelas Ongs simplifica bastante o serviço para os condomínios interessados no programa. No edifício Renoir, um prédio localizado na Área Central, o síndico Luis Gustavo Gimenes sempre teve interesse em aderir ao programa, mas nunca soube como fazê-lo. ''Pensei até em comprar sacos de lixo com cores diferentes para ajudar os moradores'', diz, sem saber que a própria CMTU cuida deste assunto.
''Os coletores das Ongs deixam sacos verdes nos prédios, que devem ser usados para separar o lixo reaproveitável, sempre que passam recolhendo material. Cada morador ganha um saco de 100 litros. Não é preciso separar vidro de plástico ou metal. Tudo isso pode ser colocado no mesmo saco'', explica Silva.
Para manter o programa em andamento, Silva destaca a importância de ser manter fiel à coleta. ''Os coletores entregam sacos novos na mesma quantidade de unidades recolhidas'', ressalta. ''Na coleta, os trabalhadores atuam identificados com crachás e camisetas verdes.''
O trabalho não tem rendido tudo o que poderia no Centro da cidade. Segundo o coordenador do programa, atualmente são coletadas cerca de 10 toneladas por dia. Este número poderia facilmente chegar a 40 toneladas, se houvesse mais consciência dos benefícios que um programa de coleta seletiva pode trazer para a cidade.
''Esta é uma dificuldade que eu encontro para implantar o sistema no meu condomínio. As pessoas acham que não há benefícios diretos para elas'', conta Gimenes.
''Para isto, temos folders e também estamos elaborando cartazes que vão ajudar os síndicos a orientar os moradores sobre a importância da coleta seletiva. Mas posso antecipar que o benefício é de longo prazo, trazendo mais qualidade de vida e divulgando uma cultura de respeito ao meio ambiente'', afirma Silva.

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