O início da coleta seletiva de lixo em Campo Mourão preocupa os catadores de papel da cidade. Eles temem que o programa deixe a categoria sem ter o que recolher pelas ruas depois que for implantado em todo o perímetro urbano. A coleta seletiva começou na semana passada, mas por enquanto atinge apenas 10 bairros da zona sul.

João Alves dos Santos, 48 anos, ex-lavrador que há cerca de um ano passou a catar papel e outros materiais recicláveis no centro de Campo Mourão, não tem dúvidas. ''Com essa coleta, as pessoas só vão colocar o papel e os plásticos nas ruas no dia em que o caminhão da prefeitura passar.'' Ele tem seis filhos e ganha cerca de R$ 180,00 por mês.

O ex-mecânico Israel Pereira, 38 anos, trabalha como catador de papel desde o início do ano e disse que não sabe o que fazer se tiver que parar com o trabalho. ''Não consigo outro emprego por falta de estudo'', afirmou.

A diretora de Ação Social da prefeitura, Maristela Ferarri, disse que não é intenção do município prejudicar o trabalho dos catadores. ''Há material reciclável para todo mundo'', argumentou.

Além da situação dos mais de 100 catadores de papel, há um outro problema para ser resolvido. Com a inauguração do aterro sanitário de Campo Mourão, 39 famílias que garimpavam no lixão perderam a única fonte de renda. A prefeitura informou que vai criar uma frente de trabalho por um ano para essas famílias.

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