Antoniele Luciano
Reportagem Local
Londrina – Quando o assunto é a coleta de material reciclável nos bairros de Londrina, a dúvida impera entre moradores do Conjunto Maria Cecília, na zona norte. Uns dizem que o caminhão da coleta seletiva passa na quarta-feira, outros que o serviço está disponível na sexta-feira. O jeito, conta o aposentado Sebastião Pereira Pardin, de 64 anos, é colocar o lixo na rua, assim que alguém passa anunciando a coleta aos gritos pelo bairro. "A coleta começou bem, depois ficou bagunçada. Agora tem gente de fora que vem buscar o que separamos, dá até o saco de lixo para nós. Quem passar primeiro pega", contou.
De olho nesta e outras falhas que rondam a coleta seletiva no município, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) firmou contrato com mais duas cooperativas de recicláveis com o objetivo de melhorar o serviço na cidade. Conforme o órgão, a CooperNorth e a EcoRecin estão se formando agora, mas já somam cerca de 50 cooperados. Os integrantes são dissidentes de outros grupos que já atuam na cidade. As entidades vão receber R$ 420 por tonelada recolhida e comercializada. Com a nova organização, sobe para sete o número de cooperativas com convênio com a CMTU. A Companhia é responsável por pagar também o INSS dos cooperados envolvidos.
A EcoRecin fará a coleta em 15.317 domicílios em parte da área central e nos jardins Colúmbia, João Turquino e Avelino Vieira, na zona oeste. Já a CooperNorth passa a recolher os materiais de 28.409 residências nos jardins Shangri-Lá (zona oeste) e União da Vitória (zona sul), Conjunto Maria Celina (zona norte) e parte do centro.
No União da Vitória 2, os moradores têm a terça-feira como "sagrada" para colocar para fora os sacos com lixo reciclável. Ontem, no entanto, eles completavam duas semanas sem que a cooperativa responsável fizesse a coleta. "Teve vizinho meu que até ligou na CMTU. Quando demoram assim, não temos como por na calçada os sacos, tem que deixar em casa, acumulando", reclamou o autônomo José Antônio Arruda, de 50 anos.
O gerente de Resíduos da CMTU, Gilmar Domingues, explica que o remanejamento das cooperativas foi motivado pelo alto número de reclamações recebidas no serviço de atendimento ao consumidor (SAC) da CMTU. Somente de 1º a 10 de janeiro deste ano, foram 140 notificações. "O comum para o período é 10% disso", calculou. Ele analisa que entre as justificativas para os problemas envolvendo a coleta estão o registro de tempo chuvoso e falta de catadores.
Hoje, cerca de 400 pessoas atuam como cooperados na coleta seletiva de Londrina. Elas coletam em torno de 800 toneladas de recicláveis por mês. A CMTU não descarta firmar novas parcerias mais adiante. "Tudo vai depender do desempenho das cooperativas que temos", assinalou Domingues. O atendimento das outras cooperativas não sofreu alterações e continua nos dias habituais.

PORTA A PORTA
Diretor-secretário da EcoRecin, o cooperado Francisco Bitencourt Gomes da Silva, de 28 anos, relata que o grupo já começou a trabalhar, mas que ainda não foi possível calcular quanto cada colaborador irá tirar por mês com a atividade nos setores que atuam. "Depende da qualidade e da quantidade da produção", observou. Segundo ele, os cooperados, além de recolherem o material, precisam fazer um trabalho de conscientização de porta a porta, diariamente, para lidar com a queda nas coletas. "A população separa menos reciclável a cada dia", lamentou.
Como a Prefeitura não fornece sacaria à cooperativa, Silva explica que a coleta está sendo feita independentemente do tipo de recipiente usado para armazenar os recicláveis. "Os moradores podem colocar em sacos de lixo pretos, em sacolinhas de mercado ou em caixas de papelão. O importante é identificar que ali tem reciclável. Podem até escrever neles", ensinou.
A reportagem tentou repercutir o assunto com representantes da CooperNorth, mas não conseguiu localizá-los.

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