Coleta seletiva falha e reclamações disparam
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terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina Os sacos com materiais recicláveis que amanhecem nas lixeiras ou nos quintais têm tirado a paciência dos moradores de Londrina. De acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), as reclamações mais que dobraram nos últimos dias. Com o período de festas e férias escolares, o volume de recicláveis, que tem média de 900 toneladas mensais, cresceu em torno de 20%. São aproximadamente 14 ligações diárias que relatam, principalmente, que os materiais não são recolhidos nos dias combinados.
A dona de casa Valdete Nogueira, de 45 anos, moradora do Conjunto Violin (zona norte) contou que, pelo atraso na coleta, tem cedido os materiais para catadores que passam com carrinholas pelo bairro. "É o único jeito, porque tem vezes que os materiais tomam o espaço do quintal", reclamou. Já a dona de casa Noelci Tereza de Souza, de 61 anos, moradora do mesmo bairro, relatou que a periodicidade da coleta oscila muita. "Tem semanas que eles passam normalmente, mas, em seguida, ficam duas sem passar", disse.
Os problemas evidenciam que Londrina, apesar de ter recebido o Prêmio Cidade Pró-Catador, do governo federal, no fim do ano passado, ainda tem muito que evoluir no sistema de coleta seletiva. O gerente de resíduos da CMTU, Gilmar Domingues, apontou que foram cerca de 150 reclamações recebidas nos últimos 10 dias. As ligações são de várias regiões da cidade. Ele adiantou que desde dezembro já comunicou os cooperados responsáveis e que nos próximos dias vai convocar reuniões para detectar as falhas e cobrar as medidas necessárias.
"Não será admitido que nenhum material seja deixado no chão. Aqueles que não cumprirem as exigências serão punidos com multas previstas em contrato", garantiu. Os barracões das cooperativas estão todos lotados, motivo que, para a CMTU, pode estar causando o problema do não recolhimento total dos materiais. De acordo com o órgão, os problemas na triagem provocam complicações em todo o processo. A solução seria agilizar a comercialização dos produtos. A CMTU informou que a fiscalização, apesar de ser limitada, trabalhando com amostragem, é muito rigorosa.
A coleta seletiva é administrada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e é executada por cinco cooperativas: Cooperregião, Cooperoeste, Coocepeve, Cooperrefum e Coopermudança, com o total de 506 recicladores cadastrados. A coleta de resíduos recicláveis atende 100% dos domicílios urbanos e distritais. O investimento mensal da administração municipal no Programa Londrina Recicla é de R$ 590 mil.
A presidente da Coopermudança, Adriana Alves, informou que o problema foi causado pela alta de produção de recicláveis na temporada de fim de ano. Segundo Adriana, a coleta saltou de dois para cinco caminhões diários em bairros como Jardim Bandeirantes, Quebec e Presidente. "Tivemos que aumentar o número de caminhões, pois no mesmo dia que recolhíamos, chegava o fim da tarde e a rua estava cheia de recicláveis novamente", contou.
O barracão da cooperativa, localizado na zona norte, está lotado de materiais. Adriana pediu a compreensão da população e informou que adotou algumas medidas para minimizar o problema. No entanto, ela acredita que o serviço só será normalizado no final de fevereiro. Nilza de Brito, presidente da Cooperoeste, também relatou dificuldades com o aumento da demanda. "Estamos com cinco caminhões mais dois extras que permanecerão trabalhando até fevereiro", contou. A reportagem tentou entrevistar os presidentes das outras cooperativas, mas não conseguiu contato.


