A administração municipal deve anunciar nos próximos dias a proposta de reestruturação do sistema de coleta seletiva em Londrina. O setor está passando por dificuldades desde que os preços dos materiais reaproveitáveis despencaram nos últimos meses. Os trabalhadores consideram que a situação está tornando-se insustentável e cogitam paralisar o serviço.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) está buscando identificar as principais carências do sistema. De acordo com o diretor de Operações da CMTU, Paulo Bombassaro, uma das principais medidas é formalizá-lo. Hoje o sistema opera sem contrato ou convênio. Mesmo assim, cerca de R$ 200 mil são investidos por mês no pagamento do aluguel de 13 barracões de ONGs, distribuição dos sacos verdes - usados na separação do lixo - e transporte até a Central de Pesagem e Venda (Cepeve).
Bombassaro não quis adiantar o que será proposto aos coletores, falando apenas em ''proposta factível e que gere a estabilização do sistema''. Alguns números, no entanto, já são conhecidos. Existem 35 ONGs, que reúnem de 350 a 400 trabalhadores, sendo 20 ligadas à Cepeve. Os coletores são responsáveis pelo recolhimento de 120 toneladas por dia de materiais como alumínio, papelão, papel e plástico.
Reconhecimento
''O que a gente quer é o reconhecimento da prefeitura em relação ao nosso trabalho.'' O apelo é a presidente da Central de Pesagem e Venda (Cepeve) Sandra Araújo Barroso Silva. Além da queda nos preços do material, vários grupos, segundo Sandra, não estariam recebendo os sacos plásticos na quantidade suficiente. E ''carrinheiros'' autônomos estariam recebendo os sacos de coleta e invadindo os setores das entidades organizadas.
Responsável por uma ONG na Zona Norte, Selma de Assis queixou-se das exigências do recadastramento promovido pela CMTU, que cobra estatuto e notas fiscais. ''O preço está baixo e não temos algumas notas. Daqui a pouco não vamos ganhar nem para a gasolina'', reclama.
O coordenador da coleta seletiva da CMTU, Devair Almeida, argumentou que os dados estão sendo solicitados para todos os grupos, com o intuito de organizar o sistema. Ele acrescentou que as ONGs que queixam-se da falta de sacaria devem estar usando o material de maneira inadequada. ''Quem estiver precisando de mais material deverá formalizar um pedido junto à CMTU'', informou.

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