Coleta seletiva ajuda funcionários da UEL
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segunda-feira, 09 de outubro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Desde março, zeladores e funcionários das unidades administrativas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) têm participado do programa Recicla UEL, que instituiu a coleta seletiva do lixo produzido na universidade. Parte dos resíduos recolhidos no campus são destinados à Associação de Ação e Cidadania dos Pró-Servidores da UEL (Aciduel) e o restante é repassado a oito famílias integrantes da organização não-governamental (ONG) Reciclando Oeste, que trabalha no Jardim Leonor (Zona Oeste).
Com os recursos obtidos na venda dos materiais recicláveis, os voluntários da Aciduel compram cestas básicas para distribuir a funcionários da universidade com dificuldades financeiras. Este projeto já existe há 12 anos e contempla pelo menos 60 empregados todos os meses, segundo o presidente da associação, Moacir Ferri. ''Um funcionário recebe o auxílio alimentação mês sim, mês não'', diz.
Ele explica que qualquer contratado da universidade pode ser beneficiado, desde que comprovada a necessidade. ''A triagem das famílias é feita pela equipe de assistentes sociais do serviço de bem estar da comunidade universitária e só depois de aprovado o cadastro é que as cestas são entregues'', declara.
Sempre que precisou do auxílio alimentação, a zeladora Aparecida Conceição Barros, 47 anos, foi atendida pelos voluntários da Aciduel. ''A gente procura a assistente social, expõe o nosso problema e pede orientação'', declara.
Viúva, Aparecida cria dois filhos sozinha e nem sempre consegue bancar as despesas da casa. Ela conta que já precisou de remédios, ''mas como a associação não tem recursos, acabei recebendo a cesta básica no lugar do medicamento'', recorda. ''É pouca cesta para muita gente'', avalia a funcionária, que afirma só procurar o auxílio quando realmente precisa.
Por mês, a universidade gera em torno de três toneladas de lixo para a Aciduel, sendo 80% em forma de papel. A associação também recebe parte da madeira que resulta de podas e erradicação de árvores, todos os resíduos plásticos do Hospital Universitário e sucatas de ferro do patrimônio da universidade.
Além da contribuição mensal dos voluntários, que soma em torno de R$ 2 mil, o caixa da associação recebe até R$ 2,5 mil a partir da venda do material reciclável. As cestas básicas são terceirizadas.
A comercialização do lixo é feita mensalmente, em processo de licitação. ''As empresas interessadas em comprar os materiais enviam as propostas em envelopes lacrados e ganha aquela que pagar mais'', informa o responsável pelas vendas, Carlos Ferraz. Segundo ele, a maior dificuldade dos voluntários da Aciduel, hoje, está em conseguir compradores para restos de isopor, vidro e lâmpadas. ''Se conseguíssemos vender esses materiais, muitas dificuldades seriam supridas'', comenta.


