Londrina - Falta de mão de obra e organização estão atrapalhando a coleta e reciclagem dos pneus inservíveis de Londrina. Quem afirma é o empresário Jorge Mendes, que cede um galpão para depósito do material. "Por enquanto, estou utilizando o serviço dos funcionários da minha loja. Mas o movimento de clientes está aumentando com a proximidade do final de ano. Além disso, dedico boa parte do tempo a questões de ordem pessoal, sobrecarregando a equipe", explicou.
Em três meses de funcionamento, a parceria entre a prefeitura e a Reciclanip, entidade-filha da Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos (Anip), recolheu cerca de 62 mil pneus usados na cidade. O secretário municipal do Ambiente, Gerson da Silva, disse estar surpreso com o resultado. Segundo ele, somente em julho (primeiro mês da experiência), foram recolhidos mais de 30 mil pneus. "Estamos satisfeitos porque os fundos de vale e as estradas rurais estão sendo poupados", justificou. Londrina descarta aproximadamente 14 mil pneus/mês que, após o fechamento da BS Colway, estavam acumulados em oficinas, lojas ou sendo jogados aleatoriamente pela cidade.
O galpão que Mendes cedeu à parceria é alugado e destinava-se apenas ao depósito das carcaças dos pneus deixados pelos clientes. Exceto a contribuição ambiental, o único retorno financeiro do empresário seria o reaproveitamento de alguns pneus. Porém, devido ao acúmulo de trabalho de seus funcionários, essa compensação é quase mínima, segundo ele. "Ainda vou conversar com minha esposa e gerentes mas existe uma boa possibilidade de eu ser obrigado a abandonar minha participação no projeto", adiantou.
Outro motivo para rever a logística do processo é a necessidade de controlar a demanda. O empresário suspeita que borracheiros e comerciantes da cidade estejam trazendo para Londrina pneus descartados também da região. "Nosso objetivo é atender a cidade e, para isso, seria bom que tivéssemos um cadastro de quem costuma entregar e a média por semana. Isto organizaria e facilitaria nosso trabalho", completou Mendes. O secretário do Ambiente garante que nada prejudicará o processo. "Deixaremos tudo organizado para que a próxima gestão continue tocando a idéia", afirmou.
Desde 11 de julho, os pneus inúteis de carros, motocicletas e caminhões podem ser entregues à Rua Almirante Barroso, 31, às segundas e quartas-feiras, das 8h30 às 11h30. O material que antes era desprezado servirá de combustível alternativo à fábrica de cimentos Votorantin, em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba). Quem for flagrado pela fiscalização municipal desovando pneus em áreas públicas será multado em R$ 5 mil, conforme a Lei de Crimes Ambientais.
A Reciclanip foi criada há nove anos e, atualmente, possui 323 ecopontos espalhados pelo Brasil. Conforme Renata Murad, gerente geral da entidade, os fabricantes assumem os gastos com transporte e trituração do material, que é quase totalmente utilizado como combustível pelas indústrias cimenteiras. A estimativa da Anip é que, anualmente, cada veículo renove, em média, dois pneus, incluindo tratores e bicicletas.

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