Borracheiros e revendedores de pneus já sentem o reflexo do fechamento do depósito onde era feito o recolhimento do material em Londrina. O motivo é que a fábrica localizada em Bocaiúva do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), que recebe os pneus, suspendeu os serviços devido a uma determinação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Cerca de 14 mil pneus ao mês são recolhidos em Londrina sem custo aos destinatários, sendo que a suspensão aconteceu há 15 dias. O material é levado pela empresa Reciclanip à cimenteira, que utiliza o material como combustível alternativo na produção.
''Não sei o que vou fazer com todos esses pneus caso o galpão não volte a funcionar. Já estou com mais de 50 unidades acumuladas. O que me preocupa é que não podem ficar lá fora, por causa do perigo da dengue'', alertou Duarte Marcílio, proprietário de uma borracharia na Avenida Inglaterra (Zona Sul).
Márcio Alcides, proprietário de outra borracharia na mesma avenida, também compartilha da opinião. ''Quem acaba sendo prejudicado com essa situação somos nós, e não os fabricantes. Não podemos jogar em qualquer lugar, senão levamos multa'', desabafou ele, que já acumula cerca de 200 pneus.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Gérson da Silva, a capacidade do galpão de cinco mil pneus, chegou ao limite. ''Não temos como recolher enquanto essa situação não for resolvida. Acreditamos que a nova resolução para a atividade da cimenteira deva sair ainda esta semana. A determinação por parte da Secretaria vai garantir uma readequação no recebimento de pneus. Dessa forma, o galpão volta a funcionar normalmente'', defendeu. Conforme ele, com a nova resolução, a fábrica estaria autorizada a recolher somente pneus do estado, o que não acontece atualmente.
O secretário comenta que não é responsabilidade do município dar um destino correto do material. ''Mas, apesar disso, fazemos essa intervenção no processo, auxiliando e facilitando toda a logística. Enquanto o galpão não está funcionando, pedimos a colaboração dos revendedores e borracheiros. Caso haja desrespeito, vamos endurecer a fiscalização, com aplicação de multas pesadas'', argumentou Silva. A multa por chegar até R$ 5 mil.
Vários pontos da cidade são alvo do despejo ilegal de entulhos, incluindo pneus. O problema pode se agravar com o fechamento dos galpões. Como aconteceu no Jardim Everest, Zona Norte. Segundo o morador do bairro, José Roberto, é a segunda vez que acontece. ''O maior problema com esse lixo é o acúmulo de água, que pode resultar em focos da dengue'', declarou.

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