A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) quer aumentar a quantidade de lixo reciclado em Londrina para ganhar tempo até a construção do novo aterro sanitário. A idéia é reaproveitar o máximo de material, deixando apenas lixo orgânico para ser depositado no atual aterro, cuja capacidade está se esgotando.
Hoje os funcionários começam a passar de casa em casa, orientando sobre a forma correta de separar o lixo. A primeira fase do programa vai contemplar 1,2 mil residências do Jardim Bancários e Parque Alvorada, ambos na Zona Oeste. A CMTU vai realizar o trabalho em parceria com a empresa Fossil Saneamento, responsável pela coleta de lixo no município, e Organizações Não-Governamentais (ONGs) de coleta seletiva.
O recolhimento de lixo reciclável já atinge mais de 90% dos bairros de Londrina. Segundo a CMTU, 25% das 300 toneladas de lixo produzidas por dia na cidade vem sendo recicladas. O que o município pretende, agora, é ''mudar o enfoque da coleta'', define a diretora de operações da companhia, Rosimeri Suzuki. ''Antes, a gente pedia para as famílias separarem o lixo reciclável. Agora, a gente pede que elas separem o lixo orgânico e o contaminado tudo que sobrar vai para a reciclagem. É uma mudança de cultura, para que as pessoas percebam que há mais material reaproveitável do que imaginam'', explica.
Além dos atuais sacos verdes destinados ao lixo reciclável, cada residência passará a receber sacos na cor laranja, onde serão depositados detritos orgânicos como restos de alimentos, cascas e bagaços de fruta. A nova embalagem também vai acondicionar o chamado lixo contaminado, composto por papéis higiênicos, fraldas descartáveis e absorventes usados, entre outros ítens.
A Associação de Recicladores Reciclando Leonor (ARRL), na Zona Oeste, uma das 22 ONGs do gênero na cidade, resolveu se adiantar e iniciou, já nesta semana, o trabalho de orientação a moradores. Além de aumentar o volume de lixo para revenda, os recicladores esperam receber um material mais ''limpo'' no barracão.
''Cada sacola é uma 'surpresa'. Vem muita lata e caixa com resto de comida, muita sujeira. Se a dona de casa separar o lixo direitinho, a pessoa que trabalha no barracão não precisa nem ter nojo'', apela a recicladora Antônia Inácia, 63. Não é preciso procurar demais para encontrar famílias que ainda cometem equívocos na triagem do lixo. Na casa vizinha ao barracão da ARRL, a zeladora Dirce Campanini Leal, 55 anos, dá exemplo de colaboração e respeito aos coletores, mas peca na hora de separar o lixo do banheiro. ''Eu amarro bem o saquinho do cesto e jogo dentro do saco verde'', diz. Agindo assim, Dirce está misturando lixo contaminado com material reciclável.

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