Cólera já matou três e atingiu a 300
A cólera se prolifera em Paranaguá, e já causou a morte de três pessoas. São oficialmente 98 os casos confirmados da doença no município, incluindo as mortes. As autoridades de saúde do Estado ainda não admitem se tratar de uma epidemia, mas numa entrevista a jornalistas ontem à noite, o secretário Armando Raggio disse que o número de contaminados pelo vibrião da cólera já atingiu a 300. É um surto dentro de uma epidemia nacional, que teve início em 91, limita-se em afirmar o secretário estadual.
O boletim do início da noite de ontem, divulgado pela Secretaria de Comunicação Social do governo - que passou a concentrar todas as informações sobre cólera - confirmou os 98 casos (até quinta-feira eram apenas sete confirmados), mas já não falava em surto, nem em número de casos suspeitos. A Secretaria da Saúde reconhece que as mortes de Zemas de Deus, 23 anos, e mais dois homens que não tiveram idades e nomes revelados foram provocadas pela doença. As mortes com os sintomas da cólera foram registradas nos primeiros 19 dias de março.
Doze pessoas permanecem internadas em hospitais de Paranaguá. Nenhuma corre risco de vida. Mas o avanço da doença também pode ter atingido outros municípios litorâneos. Além de Pontal do Paraná, com quatro pacientes suspeitos (dos quais a secretaria admite investigar apenas um ), Guaraqueçaba e Morretes registraram esta semana mais três pessoas atendidas com diarréia, nos hospitais locais.
Os técnicos da Saúde identificaram o marisco conhecido por Bacucu, bastante encontrado na região da Vila Guarani, em Paranaguá, como o primeiro alimento contaminado a transmitir a cólera aos moradores da vila, apontada como o principal foco da doença.
O provedor do Hospital Santa Casa de Misericórdia, Henrique Chaves, disse, que apesar da confirmação dos casos, o número de pessoas que procuraram o hospital está regredindo. Das 34 pessoas que estiveram na Santa Casa em busca de tratamento, apenas seis permaneciam internadas até ontem.
Os secretários Armando Raggio e Pretextato Taborda (Casa Civil), além do prefeito Mário Roque, de Paranaguá, passaram o dia de ontem acompanhando os trabalhos de monitoramento e prevenção contra a coléra.
Raggio afirmou mais uma vez que a doença pode ter sido transmitida por um caminhoneiro portador do vibrião colérico que veio do Mato Grosso. Ele continua descartando a hipótese da cólera ter sido originada na contaminação por um marisco na própria Vila Guarani, onde as casas localizadas às margens do Rio Anhaia não tem qualquer tipo de sistema de esgoto.





