Cólera é ameaça para tribo do Litoral
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de abril de 1999
Da Redação 
Os 90 índios da ilha da Cotinga, em Paranaguá, vivem hoje a ameaça da cólera, doença que chegou à cidade há um mês e fez mais de 400 vítimas entre a população. Técnicos da Funai, Secretaria Estadual de Saúde e Fundação Nacional de Saúde estão dando informações para que eles se previnam da doença. Há suspeita de que um índio tenha sido infectado, mas a Funai disse não ter registrado nenhum caso.
Na ilha há 17 famílias do Paraná e oriundas de Santa Catarina, do Paraguai e da Argentina. A área, de 1.697 hectares, está garantida para o uso dos índios desde 1994, mas isso não garante que eles estejam longe dos problemas.
Doenças e costumes dos brancos já estão presentes nas aldeias, mas os índios ainda preservam um pouco da sua cultura. Hoje, os guaranis da Cotinga vivem da confecção e venda do artesanato. O Instituto Ambiental do Paraná tem um programa de reflorestamento de palmito para que esta também seja uma atividade econômica para os índios, segundo o administrador regional substituto da Funai, Paulo Roberto Dziedicz.
A agricultura de subsistência também ainda é preservada. A língua, guarani, é ensinada na escola da aldeia por um dos índios. Mas lá também se aprende português, dentro do ensino de 1ª a 4ª série. A cultura ainda está nas casas, de sapê, bambu e chão batido, e na resistência à construção de módulos sanitários. Em toda a aldeia, há apenas três. Segundo Dziedicz, o número deve ser aumentado ainda este ano.
Algum tipo de avanço chegou à aldeia. Hoje, os índios têm água tratada, apesar de ainda haver a necessidade de ampliar sua captação e distribuição. Os índios têm também um posto de saúde, apesar de não oferecer atendimento contínuo. Um médico e uma dentista dão consulta aos índios periodicamente, mas não se sabe o intervalo das visitas. Na aldeia, há um índio auxiliar de enfermagem, mas nem ele nem o posto resolvem casos mais graves. Quando isso acontece, também não adianta ir para Paranaguá, segundo o administrador substituto da Funai. Os índios, então, tem que ser levados para Curitiba e enfrentar outro problema dos brancos: a burocracia.


