Colégio vai à Justiça para manter curso
Sid Sauer
De Campo Mourão
O diretor do Colégio Estadual Marechal Rondon, de Campo Mourão, Sérgio Martinhago, disse ontem que vai entrar com um mandado de segurança para tentar garantir a abertura de novas turmas para o curso de auxiliar de enfermagem. A decisão foi tomada depois que o colégio foi comunicado pelo Núcleo Regional de Educação que está proibida a abertura de turmas de cursos profissionalizantes. O Rondon, porém, já matriculou 80 novos alunos para o ano 2000.
Antes de dizer que o curso está proibido, a Secretaria de Educação deveria discutir se o curso é importante para a comunidade, reclama Martinhago, que também é vereador pelo PT. O Marechal Rondon é um dos dois únicos colégios da região que não aderiu ao Programa de Reestruturação do Ensino Médio (Proem). O outro é de Iretama (70 km ao sul de Campo Mourão) e mantém o curso de magistério no ensino médio.
Martinhago diz que a procura pelo curso de auxiliar de enfermagem é grande e que, por isso mesmo, no início deste ano as vagas chegaram a ser dobradas. Só não aumentamos ainda mais as vagas porque haveria problema na hora da realização do estágio, explica. Para mostrar o interesse que o curso desperta, o diretor conta que as cinco vagas que sobraram para a segunda série foram disputadas por 327 candidatos num teste seletivo.
Tivemos uma concorrência de 65 candidatos por vaga, ressalta Martinhago. Ele reclama que o período de matrículas terminou no dia 17 deste mês, mas somente no dia 22 a secretária de Estado da Educação, Alcyone Saliba, assinou a resolução prevendo o fim gradativo dos cursos profissionalizantes. Campo Mourão está trabalhando para ganhar novos cursos e não para perder o que já tem, frisa o diretor.
O mandado de segurança para garantir as matrículas vai ser apresentado pela advogada Gisele Soares, da APP/Sindicato. Enquanto isso, Martinhago busca apoio de hospitais e de órgãos públicos de saúde para a manutenção do curso. A Associação de Pais e Mestres (APM) do colégio já se reuniu esta semana e deu aval para que a direção brigue pela manutenção. Fora o Rondon, apenas o Senac oferece o mesmo curso, mas cobra uma mensalidade de R$ 110,00.
Ganho salário mínimo e não tenho como pagar pelo curso, diz a estudante Rejane Maria de Angeli, 17 anos, de Juranda (78 km a sudoeste de Campo Mourão). Ela foi uma das 80 pessoas que se matricularam para o curso de auxiliar de enfermagem no Marechal Rondon. Vou ter que estudar educação geral, lamenta.
A chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Educação, de Campo Mourão, Maria de Lourdes Maia Polizer, afirmou ontem à Folhaque o diretor do Colégio Marechal Rondon, Sérgio Martinhago, já tinha sido avisado com antecedência que não poderia abrir novas turmas a partir do ano que vem. É a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) que prevê isso, ressalta Maria de Lourdes.
A chefe do núcleo salienta que Martinhago abriu as matrículas ciente que o curso estava extinto e que apenas as turmas já em andamento poderiam ter prosseguimento. Ele recebeu um ofício com esse comunicado e se recusou a receber outro, conta Maria de Lourdes. O diretor também não compareceu a uma reunião, em Curitiba, convocada pela secretaria para discutir o assunto. Martinhago mandou um representante.
A direção do Marechal Rondon pode apresentar um projeto à Secretaria de Estado pedindo a implantação do curso de auxiliar de enfermagem no ensino pós-médio, a ser feito após a conclusão do ensino médio (antigo 2º grau).Oitenta novos alunos já estão matriculados, mas Secretaria de Educação não admite mais cursos profissionalizantes no ensino médio
Sid SauerRECURSODiretor do Colégio Estadual Marechal Rondon, Sérgio Martinhago, mostra fichas de matrículas dos novos alunos; abertura de novas turmas de cursos profissionalizantes está proibida





