Silvana Leão
De Londrina
Alunos, professores e funcionários do Colégio Estadual Professora Maria Cintra de Alcântara, de Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina), ameaçam fechar a escola a partir da próxima terça-feira, caso o Estado não tome nenhuma providência em relação às condições precárias enfrentadas pelo estabelecimento. Ontem de manhã, um grupo de aproximadamente 50 pessoas, reuniu-se com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Maria Genoveva Belucci, e entregou-lhe um ofício que dá o prazo de cinco dias úteis para início das reformas.
Se após este período nada for feito, o grupo promete que da zero hora de terça-feira em diante ninguém entra na escola. ‘‘Já estamos cansados de promessas. Há pelo menos dois anos o governo vem sendo informado da situação e nada foi feito até agora. Chegamos ao limite. Já houve dois princípios de incêndio - o último na sexta-feira passada - e os estudantes estão deixando de ir à aula, com medo de que algo aconteça’’, afirmou a professora e membro do Conselho Escolar do colégio, Martinha Clarete Dutra.
Segundo a professora, há três pontos emergenciais: reforma total da instalação elétrica, reforma da instalação hidráulica e ampliação das salas de aula. No dia 30 de março, a Folha noticiou manifestação dos pais, alunos e professores da escola, que teve por objetivo chamar a atenção das autoridades e comunidade para o problema. De lá para cá, nada foi feito.
No início deste ano, a direção teve que improvisar salas de aula no barracão de uma antiga marcenaria existente no mesmo terreno do colégio, para atender a grande procura por vagas. As classes estão superlotadas e no ano que vem provavelmente vai faltar lugar para acomodar o número previsto de alunos. Atualmente, o Maria Cintra de Alcântara tem 1.640 alunos e atende toda a região rural do município. É a única escola estadual de ensino médio e fundamental de Tamarana.
De acordo com os representantes da comissão que esteve no Núcleo Regional, o número de alunos vem aumentando nos últimos anos e a verba recebida do Estado através do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) para manutenção do estabelecimento não acompanhou o crescimento. Isso sem falar nos atrasos no repasse destas verbas, que têm obrigado a escola a conseguir recursos através de promoções junto à comunidade.
O presidente da União Londrinense de Estudantes Secundaristas (Ules), Adriano Lozada, diz que a entidade vai iniciar um levantamento de todas as escolas da região e suas respectivas dificuldades para organizar um movimento unificado de reinvidicação de verbas. ‘‘Todas as escolas estão enfrentando dificuldades, em maior ou menor grau. Ninguém sabe para onde estão indo os recursos prometidos pelo Estado’’, observa Lozada.
No caso do colégio de Tamarana, as reformas foram prometidas para o início do segundo semestre de 98. Segundo o presidente do grêmio estudantil, Alex Moretão Cunha, apesar da falta de espaço para abrigar tantos alunos, em algumas salas eles têm que evitar encostar nas paredes, que emitem choques provocados pela fiação elétrica.
A chefe do Núcleo Regional, Maria Genoveva Belucci, informou que já entrou em contato com a Fundepar, que prometeu fazer o levantamento da situação e autorizar os reparos emergenciais ainda esta semana.

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