Londrina – Ao ver o pai cortar o fumo e enrolá-lo na palha de milho, muita criança da zona rural engrossou as estatísticas de fumantes nas últimas décadas. Atualmente, com o acesso mais fácil, o cigarro de palha deu lugar aos industrializados: maços de marcas do Paraguai vendidos por até R$ 2, duas vezes abaixo que o estipulado pela Lei do Preço Mínimo. No Colégio Estadual do Distrito de Paiquerê (zona sul de Londrina), o problema é cada vez mais frequente. Os professores iniciaram uma campanha para conscientizar os alunos sobre os malefícios do tabaco.
De acordo com a diretora da instituição, Selma Lucília Sanches, o problema é registrado principalmente no turno da tarde, com crianças e adolescentes na faixa entre 10 e 15 anos. Dos 600 alunos do colégio, os 210 que estão nesta faixa etária são o alvo da campanha. "Não temos problemas com os mais velhos, mas alguns dos mais jovens estão na fase de rebeldia e parecem usar o cigarro como sinônimo de popularidade, como transgressão às regras", contou a professora Marta Botelho.
Nos últimos dois meses, os alunos confeccionaram cartazes e receberam informações dos danos que o cigarro provoca ao organismo. Na tarde de ontem, os professores fizeram uma carreata pelas ruas do distrito para alertar as famílias para o perigo do tabagismo ainda na infância. "É preciso envolver a comunidade. Os pais muitas vezes são omissos e chegam a pedir para o filho comprar o cigarro para eles na venda. A criança ou o jovem que compra o cigarro para o pai logo vai comprar para ele também", condenou Marta.
Ela demonstrou preocupação pelo fácil acesso dos alunos ao cigarro. "Infelizmente, ou a família consente ou o comércio está vendendo para menores, o que é um crime", denuncia. Segundo a professora, antes da entrada, os alunos formam pequenos grupos para dividir o mesmo cigarro. O problema, no entanto, não se restringe ao lado de fora da escola. Os flagras em banheiros e pontos mais afastados das salas são frequentes. "Temos que ficar atentos. Nos banheiros encontramos bitucas escondidas entre vãos, em cantinhos da janela", contou.
Para mudar os hábitos dos alunos, as professoras utilizam a Educação Física e outras estratégias que atraem os jovens. "Eles gostam de esportes, então aproveitamos isso. Agora, eles têm que entender que uma coisa não pode caminhar junto com a outra", disse Selma.
A programação da campanha segue até a semana que vem. De terça a sexta-feira, o colégio vai promover a campanha Pare de Fumar em Poucos Dias, em parceria com a Igreja Adventista do Sétimo Dia, representada pelo pastor Lauro Crescêncio. As palestras com psicólogos, nutricionistas, enfermeiros e outros profissionais da área de saúde serão ministradas das 19 às 20 horas. O evento é aberto a toda a comunidade.

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