Mário CésarSOS ChampagnatO supervisor Luiz Arnaldo Prazeres dá aula em sala com forro estragado: ‘É descaso do Governo Estadual’O Colégio Estadual Marcelino Champagnat, mais uma vez, pede socorro. Com goteiras no telhado, rachaduras nas paredes, carteiras depredadas e insuficientes, salas de aula sem a mínima infra-estrutura, a supervisão do colégio ameaça paralisar as aulas e realizar um grande protesto se os problemas não forem resolvidos até o início de março. Há 30 anos não é feita nenhuma reforma no colégio, considerado o terceiro maior do Estado, e localizado na área central de Londrina.
Há poucos dias, quando choveu, 15 turmas tiveram que ser dispensadas porque as salas estão todas com goteiras, segundo informa o supervisor geral do colégio, Luis Arnaldo Prazeres. Ele conta ainda que outro problema da escola é o número insuficiente de carteiras. ‘‘Uma vez dispensamos nove turmas por falta de carteiras’’, relata. ‘‘E as que temos estão bastante precárias’’, acrescenta. Na sua opinião, a escola nesta situação é consequência do ‘‘descaso do Governo do Estado’’.
A situação do colégio ficou pior em outubro do ano passado, quando um incêndio destruiu a garagem, a sala do Grêmio Estudantil, o departamento de Educação Física, entre outros setores. A recuperação destes locais, segundo Luis Arnaldo, está sendo realizada, mas de forma bastante vagarosa. Devido aos inúmeros problemas no prédio da escola, ele conta que diversos pais já se queixaram no Núcleo Regional de Ensino.
Devido à falta de condições das salas, o início das aulas do Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem), que funciona há 10 anos no colégio, foram suspensas duas vezes. A previsão é que as aulas comecem no dia 2 de março. ‘‘É angustiante trabalhar nestas condições’’, observa uma das professoras do Celem, Azucena Oberdiek. O centro oferece cursos de cinco línguas estrangeiras para alunos de escolas públicas. Atualmente, são 830 alunos matriculados.
O Marcelino Champagnat foi construído em 1946 e atualmente conta com 4,5 mil alunos e cerca de 160 professores. Segundo Luis Arnaldo, no mês passado, foi entregue um ofício à vice-governadora Emília Belinati (PTB), pedindo o início da reforma. Ele explica que o projeto da reforma está parado no Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) por falta de recursos. ‘‘O dinheiro não foi liberado’’, afirma.
O supervisor da escola afirma que já esteve reunido com professores e alunos para discutir a situação. ‘‘Eles estão de pleno acordo: se não tivermos uma resposta até o início de março, vamos fazer um protesto e as aulas vão ser suspensas’’, ressalta.
O engenheiro-chefe do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom) de Londrina, Marcelo Paulino, explica que a reforma na parte destruída pelo incêndio teve início em fevereiro e deve ser concluída no final de março. Em seguida, deverão começar os reparos no telhado para evitar que as salas fiquem molhadas toda vez que chove. Ele conta que na semana passada esteve reunido com a diretoria do Fundepar e, como não há recursos disponíveis, ficou decidido que a reforma será feita em partes. Marcelo Paulino confirma que existe um projeto de ampliação tramitando no Fundepar.

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