Colégio deve ser ponto de segurança
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - "Além de cobrar políticas públicas, é necessário orientar. Cada vez mais a escola é um ponto de segurança que vai instruindo nossas crianças e jovens." A afirmação é da presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), Marlei Fernandes. E é a partir desse contexto que as escolas devem orientar seus alunos sobre os cuidados com a segurança pessoal.
O conceito "ponto de segurança", citado pela presidente da APP-Sindicato, é muito bem observado na Escola Estadual Angelo Trevisan, em Curitiba. Lá, 410 alunos da pré-escola e ensino fundamental são alvo de uma estruturada rede de proteção. Além de equipamentos de segurança, que conta com portão eletrônico e câmera de vigilância na entrada da escola, os alunos aprendem em sala de aula como devem se proteger.
Trata-se do projeto "Atitudes que constroem o caráter". Segundo a diretora Antonia Maria Dezan Lobato, os professores trabalham com os alunos temas como segurança nas proximidades da escola, no trânsito e nas brincadeiras com os colegas. Não é permitido às crianças saírem desacompanhadas, nem com pessoas (até mesmo parentes) que não estejam autorizadas pelos pais. Elas são orientadas a permanecerem dentro da escola enquanto aguardam a chegada dos responsáveis.
Os pais também são alvo das práticas de segurança. Desde a primeira reunião com a direção, são avisados sobre o rigor em relação ao horário de levar e buscar seus filhos na escola. Eles são cobrados no caso de eventuais atrasos, com registro na agenda dos estudantes em cada ocorrência. Depois da quinta notificação, os responsáveis são chamados à escola para assinarem um termo de compromisso. "Os pais devem vir aqui dentro buscar os filhos. Em hipótese nenhuma a criança deve sair daqui sem os pais ou responsáveis. Somos extremamente radicais nesse ponto", ressalta a diretora.
Para Rosângela de Fátima Silva Lopes, a prática garante a segurança de seus filhos quando estão na escola. Ela participa da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) e, sempre que pode, acompanha os alunos em passeios fora da instituição. "Não é uma responsabilidade só com os nossos (filhos), mas com todos", diz. Outro pai de aluno, Walmir Battu, acompanha de perto a ação na escola e também atua na APMF. Ele já teve uma filha desaparecida durante 20 anos e trabalhou na ONG Interbureau, que atua na busca de crianças desaparecidas em todo o mundo. Com a sua experiência, ele contribui com a orientação dos estudantes.
Como resultado, a escola consegue a parceria dos pais e sensibiliza as crianças. "Somos orientados a ficar dentro da escola", conta a aluna da terceira série, Cecilia Maria Silva Lopes, 9 anos. "A gente não pode falar com estranhos, porque daí a gente pode não ver mais nossos pais nem parentes. Eles podem nos pegar e nos maltratar", complementa Gabriela Thais Munhoz, 10, aluna da quarta série. Os pequenos ainda repassam as orientações aos amigos.
Outra conquista resultante do trabalho com os alunos e apontada pela equipe é a média 6,6 no Índide de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), realizado pelo Ministério da Educação.
Patrulha escolar
Integrada às atividades em sala de aula ministrada pela equipe pedagógica das escolas, a Patrulha Escolar realiza orientações sobre segurança com os alunos das 165 escolas estaduais de Curitiba. A equipe realiza palestras interativas sobre a vivência em segurança na prática de todos seus hábitos. "É em todos os dias, em todas as ações", afirma a coordenadora estadual operacional da Patrulha Escolar e Comunitária pela Secretaria de Estado de Educação (Seed), Margarete Maria Lemes.
Para Margarete, a participação da escola é fundamental, no sentido dos professores darem o exemplo para os alunos, "no reforço e na prática das orientações". Além das atividades nas escolas estaduais, escolas municipais e particulares também recebem capacitações da patrulha.


