Sem qualquer apoio oficial, sem distribuição de prêmios, sem ameaças, o pessoal do Colégio Estadual Ubedulha de Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte de Londrina), conseguiu reunir mais de 40 pais na tarde de ontem, em um ciclo de palestras sobre mudanças que ocorreram nas últimas décadas e que estão interferindo na qualidade da educação dos filhos. A iniciativa, idealizada pelos professores, agradou quem compareceu e promete simbolizar o amadurecimento da relação entre a escola e os pais dos alunos.
Com uma década de história no bairro, o colégio sente hoje a pressão exercida por uma sociedade juvenil que cresceu - em todos os sentidos - em um ritmo alucinante e, pior, sob os olhos lentíssimos do Estado. Por sua vez, os pais sentaram seus filhos nas carteiras escolares com a esperança de que os professores assumissem sozinhos a responsabilidade de educá-los.
Mas não é assim que se garante uma escola de qualidade nem a educação dos filhos, alertaram os participantes do encontro. O diretor da instituição, Adão Ferreira Nunes, destacou que a intenção de dispensar os quase 500 alunos do ensino médio que estudam a tarde e convidar os pais para um dia de aula foi tentar esclarecer que a escola é um patrimônio da comunidade e que, sem essas pessoas, não existe educação de qualidade. ''Nossa escola é boa mas, mesmo assim, não podemos correr o risco de termos aqui os problemas de violência que vemos hoje em outras escolas. Queremos mostrar que não podemos formar bons alunos sem os pais, que são muito mais poderosos que nós professores'', observou.
Dona Maria Lina Pereira sabe disso. Há 10 anos, ela foi uma das mães que batalharam para que fosse construída a escola no bairro e ontem cobrou participação maior dos pais. Ela continua lutando por melhorias porque tem um filho de 11 anos estudando no colégio e lamentou que um dos nascedouros dos problemas dentro dos muros escolares é reflexo da ausência de muitos pais em casa. ''A realidade do trabalho levou as mães a se distanciarem da vida dos seus filhos. Os pais não são mais os ídolos dos filhos. Iniciativas como esta ajudam porque deixam a gente de cabeça quente. Temos a responsabilidade de mudar mas muitas vezes não temos como fazer isso'', destacou, lembrando que caberá agora aos pais se organizarem para voltar a brigar pela educação dos filhos.
Vizinho de bairro de Maria Lina, o mecânico Cícero Muniz da Silva concordou com ela. ''Acho que o pai (e mãe) é o maior responsável pelas situações de violência na escola ao não participar dos problemas ou não tomar providências quando é chamado sua responsabilidade. Os pais, hoje, não conseguem acompanhar as mudanças que ocorrem'', afirmou Silva, que tem duas filhas estudando no colégio e era um dos pouquíssimos homens presentes ao encontro.
Ambos concordaram, porém, que a iniciativa de ontem não deve ter um fim. Os pais demonstraram ter percebido que a educação de qualidade não começa do muro da escola para dentro mas de dentro de suas próprias casas para fora.

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