Colégio conta em livro histórias de ex-alunos
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sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Ivan Santos 
No início da década de 60, o vereador Mario Celso Cunha (PSDB), então com pouco mais de dez anos, estudava no Colégio Bom Jesus e ajudava os padres na missa como coroinha. Certo dia ele fugiu da fila que levava os alunos à igreja, para jogar bola de gude no pátio da escola. Notando a falta do auxiliar, o frei Crisóstomo saiu no encalço do fujão, flagrando-o às voltas com as bolinhas de vidro.
Sem perceber que o frei estava logo atrás, o futuro vereador tucano ainda comentou com o colega de jogo que não queria bater o sino naquele dia. Quando olhei para trás, vi a sandália do frei e subindo os olhos, vi sua cara fechada, lembra Mario Celso. Depois daquela, nunca mais faltei às aulas de religião e à missa.
Episódios como esse recheiam o livro 100 Histórias do Bom Jesus, que o colégio está lançando para marcar o encerramento das comemorações do centenário de sua fundação, criado em 1896. O livro, cuja primeira edição de mil exemplares já esgotou, resgata algumas das experiências vividas pelos mais de 80 mil ex-alunos da escola nesses cem anos.
Além de Mario Celso, outros ex-alunos ilustres, como o ex-secretário de Finanças, Glaucio Geara e o deputado federal Flávio Arns, colaboraram com depoimentos. O livro terá uma segunda edição com cinco mil exemplares em fevereiro de 97.
Eles e os outros colaboradores contam histórias como a da exibição de um filme sobre educação sexual em 1969, quando o colégio era exclusivo para meninos. Pedro Luis Navarro, hoje professor da PUC, conta que ele e outros 50 alunos entre 13 e 14 anos, chegaram na sala escura com os hormônios à toda. Logo se frustraram porque a fita fazia uma abordagem biológica e nada sensual do assunto.
A sisudez da sessão só foi quebrada no final da cena que mostrava a corrida de um espermatozóide até o óvulo. A tensão entre os adolescentes chegou ao clímax quando o espermatozóide, em câmera lenta, entra no óvulo. Teria se ouvido apenas um suspiro de alívio, não fosse nosso amigo Ricardo, que dando voz a cinquenta imaginações, não se conteve e gritou lá no fundo da sala no momento final: Goool !, provocando uma catarse coletiva, para o desespero do frei Antonio, lembra Navarro.


