Mário CésarResultado positivoO diretor do colégio, Luiz Vargas, e a chefe do NRE, Maria Genoveva: certificado de excelênciaO colégio estadual Newton Guimarães, na vila Brasil (centro de Londrina), recebeu ontem do Núcleo Regional de Educação (NRE) certificado de participação e excelência pelo trabalho que permitiu o zeramento dos índices de evasão e repetência escolar. O projeto Contraturno Multidisciplinar, desenvolvido em 1993, foi o primeiro colocado entre seis trabalhos apresentados durante o 3º Seminário de Gestão Escolar, realizado em março deste ano, no Centro de Capacitação de Professores em Faxinal do Céu, município de Pinhão (Centro-Sul do Estado).
O projeto foi analisado por quase 2 mil diretores, recebeu nota 9,5 e despertou a atenção de muitas escolas, interessadas em adotar o modelo criado pelo Newton Guimarães. Outras iniciativas avaliadas durante o seminário foram desenvolvidas em Curitiba, Maringá, Cascavel e Pato Branco.
Segundo a chefe do NRE, Maria Genoveva Belucci, na área de abrangência do Núcleo o índice de reprovação entre alunos da 5ª série é de 41% e de 6ª série, 33%. ‘‘Essa escola conseguiu zerar o índice com um trabalho que envolve direção, professores e alunos.’’ Maria Genoveva observou que, através da Secretaria de Estado de Educação (Seed), as escolas estaduais estão se empenhando na busca da excelência.
Com 1.650 alunos de 1º e 2º graus, a escola Newton Guimarães existe há 49 anos. Em 1993, numa reunião do conselho de classe, foi apresentado o problema envolvendo 33 alunos de três salas da 5ª série. Na faixa de 10 a 15 anos, os estudantes tinham dificuldades de aprendizagem e não faziam as tarefas escolares. A maioria pertencia a famílias de baixo poder aquisito. ‘‘Eram crianças carentes econômica, social e afetivamente’’, resume a professora Ângela Maria Araújo Martins, responsável pelo projeto.
A professora, que havia se aposentado há um ano, decidiu na época aceitar o convite para trabalhar com os alunos. Para eles, a única certeza era a reprovação. Para ela, o desafio de detectar e vencer as barreiras que impediam o aprendizado. ‘‘Tive que despertar nelas a confiança naquilo que íamos fazer e nos resultados que alcançaríamos’’.
As aulas do contraturno aconteciam pela manhã. Os alunos continuaram tendo aulas normais à tarde. Além do reforço escolar, as horas ‘‘extras’’ eram dedicadas à realização das tarefas e trabalhos. A motivação surgiu através de jogos, montagem de livros, confecção de textos e muita criatividade.
‘‘Os alunos foram aprendendo a aprender e em quatro meses de trabalho estavam acompanhando o restante da turma’’, lembra a professora. Na elaboração do projeto valeram a experiência de 26 anos em sala de aula e os trabalhos na direção e coordenação pedagógica das escolas.
Segundo o diretor da escola, Luiz Vargas Prudência, antes de ser criado o projeto, o índice de repetência e de evasão escolar ficava entre 10% e 15%. ‘‘Achávamos que era normal, já que ouvíamos dizer que em outras escolas era de 30%’’. Hoje, o colégio mantém índices inferiores a 1%.

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