Colégio Agrícola comemora 50 anos
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Apucarana - Os dias andam agitados no Colégio Agrícola Estadual Manoel Ribas, de Apucarana (Norte do Estado). No próximo dia 2 a instituição, que nasceu como alternativa de estudo para os filhos dos produtores rurais da região, completa 50 anos e uma grande festa está sendo preparada. Todos os ex-alunos vêm sendo convidados para participar das comemorações, que serão realizadas até o dia 5, com baile, torneio de futebol, carreata, palestras e mini-cursos, entre outras atividades.
A instituição tem hoje 380 alunos, nas modalidades de curso integrado (ensino médio com formação profissionalizante) e subsequente. A maioria - 240 alunos - são internos, e todos estudam em período integral. São vários laboratórios, quadras, maquinários agrícolas e 40 alqueires à disposição dos jovens que vêm de aproximadamente 80 municípios do Paraná e de outros Estados. Mas nem sempre foi assim.
A estrutura inicial do colégio e alojamentos foram construídos em 1953 pela Liga Norte-Paranaense - formada por famílias de japonesas e descendentes, que não tinham condições de manter os filhos estudando fora de casa, em cursos superiores -, mas a inauguração da escola só pôde acontecer em 1958, à época das comemorações dos 50 anos da imigração japonesa e graças a uma parceria com o governo do Estado. A instituição já foi de responsabilidade da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) e passou por um período de poucos recursos.
Atualmente o colégio está ligado à Secretaria de Estado da Educação (Seed), passou por várias melhorias nos últimos anos e seu curso técnico em agropecuária é um dos mais conhecidos do sul do País. ''É a escola mais diversificada do Paraná'', lembra o professor da área de agricultura Walangiery da Costa Caçador. Dentro da fazenda onde fica a escola são cultivados soja, sorgo, trigo, triticale, aveia, feijão, café e verduras. No dia-a-dia dos alunos também está incluída a criação de frango, bicho-da-seda, carneiro, coelho, gado, abelha, suínos e minhoca, para a produção de húmus.
O diretor do colégio, Evanildo Mantine, explica que o principal foco da instituição é a agropecuária, mas hoje são oferecidos também os cursos técnicos em meio ambiente e em turismo regional. O perfil dos jovens que hoje frequentam as salas de aula, segundo o diretor, é parecido com o das primeiras turmas: a maioria são filhos de pequenos produtores, e estudam graças ao benefício da gratuidade. ''Houve uma época em que era cobrado meio salário mínimo por mês de cada aluno. Hoje o ensino é gratuito'', informa Mantine, lembrando que nos últimos 20 anos quase sempre a demanda foi maior que o número de vagas.
''Levantamento feito entre os cerca de 1,5 mil alunos já formados mostrou que aproximadamente metade conseguiu emprego na área; uns 20% foram trabalhar com a família e os 30% restantes continuaram os estudos.'' O diretor informa ainda que diariamente o colégio é contatado por empresas, inclusive de outros Estados, em busca de profissionais. ''Às vezes não temos o contingente que nos pedem. Isso é raro. Não é toda profissão que a pessoa se forma e tem emprego garantido'', comemora.


