Colégio abriu oportunidades de trabalho
Para os alunos, estudar em uma estrutura nova e com um conforto que muitas vezes não encontram nem em suas próprias casas tem sido um incentivo para comparecer às aulas. As orientações de higiene pessoal, disciplina e cuidado com as coisas também têm contribuído para criar um vínculo maior com a instituição. ''Gosto de escovar os dentes'', comenta Lidiane, 6 anos. ''Acho esta escola mais bonita, dá mais vontade de estudar. A outra onde eu estudava era feia'', revela Deivid, de 10 anos. ''Aqui é limpinho!'', exclama Edna, 10 anos.
''Meus filhos estão gostando mais de estudar nessa escola, que é mais perto. Eles não perdem nem um dia. A escola é muito boa, toda organizada'', observa Rosângela Barbosa, que, como tantos outros por ali, trabalha no corte de cana. ''Não sei ler, nunca estudei, depois de velha não dá mais. Por isso acho importante eles irem pra escola. É muito ruim crescer sem estudo.
Como o objetivo das freiras era de ajudar a comunidade local, na hora de contratar professores e funcionários, elas deram prioridade para os moradores da cidade que estavam desempregados. Foi assim com todos os 12 professores, que passaram inclusive por uma semana pedagógica em Curitiba antes do início das aulas. ''Tínhamos formação, mas não um espaço para trabalhar'', lembra a professora Regilandia da Rocha Petile. Regilandia já tinha trabalhado em escola estadual, e afirma que não há como comparar a diferença de ambiente na nova escola. ''É bem mais agradável, nós nos sentimos mais motivados, e os alunos também.''
Os 12 auxiliares de serviços gerais e administrativos também eram pessoas que não conseguiam encontrar emprego, principalmente por falta de experiência e qualificação. Mas não por falta de vontade, como garante Ondina Geafelice, 48 anos, que era cortadora de cana antes de se tornar uma das merendeiras da escola. Ela conta que precisava sair às 4 horas da manhã de casa para ir aos canaviais. Como o salário era por produção, era preciso ralar muito para ganhar R$ 700 mensais, e esse dinheiro precisava ser bem administrado, já que, para esses trabalhadores, só há serviço durante seis meses por ano.
''Trabalho desde os sete anos de idade, comecei como empregada doméstica. E, comparando, aqui é um sonho, parece o céu'', comenta, revelando ainda que sonhava em trabalhar em uma escola faz 26 anos. ''Deus preparou tudo'', reconheceu, acrescentando, cheia de orgulho, que tem uma filha que pretende se tornar freira e hoje mora em um convento.
A zeladora Ângela Maria dos Santos, 38 anos, é outra que trabalhava cortando cana e ganhou uma oportunidade na escola. ''Já tinha tentado emprego de várias formas, e nunca me deram uma chance. Agora estou dando o melhor de mim, e estou adorando. Tenho mais tempo para ficar com os filhos, cuidar da casa e estudar'', conta Ângela, que ainda faz curso técnico de administração em Porecatu. (A.I.)





