Colegiais fazem vestibular diferente
Colegiais fazem vestibular diferente
Lúcio Horta
Dorico da SilvaTesteEstudantes que foram a Brasília: inovação em prova seletivaCinco alunos do Colégio Delta, de Londrina, estão participando de um projeto inédito de seleção de alunos para cursos de ensino superior no Brasil.
Embora ainda sejam alunos do 2º ano colegial, desde o ano passado eles também estão disputando vaga na Universidade de Brasília (UnB).
Implantado em 1996, o Programa de Avaliação Seriada (PAS) permite que alunos do colegial façam provas de seleção na UnB ao final de cada um dos três anos de estudo. Quando o aluno conclui o 2º grau, as notas das três provas são somadas e aqueles que têm o melhor desempenho conseguem a vaga.
A partir do ano que vem - quando a primeira turma de alunos do sistema fizer a última prova - 50% das vagas da Universidade de Brasília estarão reservadas para o PAS. Esta é uma chance que nenhuma outra universidade dá. É muito interessante para os alunos, avalia Lutembergue Negrão de Freitas, 16 anos, aluno do 2º ano em Londrina. Ele quer prestar vestibular para Medicina ou Direito.
Em dezembro do ano passado, Lutembergue Negrão de Freitas foi a Brasília fazer a primeira prova de avaliação da UnB junto com outros quatro colegas que também estudam no Delta: Luis Orestes Fávaro Scomparin, 16, Roberta Tonetto Bozz, 17, e os irmãos Carolina Teru Matsui, 15, e Fernando Yutaka Matsui, 16.
A prova foi feita em um só dia, com 55 questões do tipo falso ou verdadeiro. No total, mais de 28 mil alunos, de todas as partes do País, participaram do concurso.
O grupo diz que não estranhou o conteúdo das provas, embora o nível de exigência tenha sido bastante alto. Uma das dificuldades, por exemplo, foi uma série de questões específicas sobre o Distrito Federal. Outra novidade: houve uma prova só de Artes, onde o aluno poderia optar entre responder questões de música, artes cênicas ou artes plásticas. Um só dia para fazer a prova - que tinha duração máxima de quatro horas - também foi considerado pouco.
Para os alunos, as vantagens neste sistema de ingresso à universidade são bem maiores em relação ao sistema convencional. Uma das vantagens, segundo Carolina Tatsui: o aluno do 1º ano do colegial, por exemplo, faz provas somente com matérias do período. Já no vestibular convencional, é exigido nas provas o conteúdo de todo o 2º grau. Quando cai tudo de uma vez, a pressão é maior, diz Carolina Tatsui, que pretende cursar Veterinária.
O principal objetivo dos alunos que foram a Brasília, no entanto, não é conseguir uma vaga no ensino superior, mas sim ganhar experiência. A distância entre o Distrito Federal e Londrina não anima o grupo a concluir os estudos por lá. Mesmo sendo a UnB uma das universidades mais conceituadas do País. Só se fosse em último caso, afirma Luis Orestes, que pretende disputar Odontologia. Ou seja, se ele não conseguisse aprovação em nenhum outro vestibular mais próximo de casa. A preferência é mesmo a UEL (Universidade Estadual de Londrina), afirma Orestes.
Lutembergue avalia que a experiência foi válida e o objetivo é voltar nos próximos anos e concluir todas as provas. O clima de disputa e o stress das provas, ele diz, foram importantes para que eles possam encaram com mais tranquilidade os outros vestibulares que vão disputar quando concluírem o 2º grau.
O que mais estranhou mesmo o grupo, em Brasília, foi a falta de movimento no final de semana, com ruas e shopping centers vazios, quando não fechados. Dos cinco, apenas Carolina e Fernanda conheciam a cidade. Luis Orestes conta que tiveram dificuldade até para achar um restaurante aberto no domingo, antes da prova. Depois de muita procura, acabaram almoçando em uma churrascaria. A cidade morre no final de semana, afirma Luis Orestes.





