Colegas já pensam nas caronas
Ganhando um salário mínimo e cuidando da mãe enferma, a zeladora Marli Romualda da Silva, 31 anos, tinha a casa própria como um sonho inatingível até poucos meses atrás. Selecionada no projeto do moinho de trigo de Sertanópolis, hoje ela já fala com orgulho de proprietária. ''Não vejo a hora de entrar na minha casinha. É muito bom ter meu cantinho. Você precisa ver minha mãe, tá toda animadona'', diz.
As duas residem sozinhas num imóvel cedido por um irmão de Marli. Idosa, a mãe mal cobre as despesas de farmácia com o dinheiro da aposentadoria. ''Tenho que pensar no futuro. Depois que Deus levá-la, como eu vou ficar?'', reflete. Além de não depender mais da boa vontade de familiares, a zeladora se anima com a possibilidade de ter amigos em toda a futura vizinhança. ''Vai ser todo mundo conhecido. Já sei que eu e cinco colegas minhas vamos morar perto umas das outras.''
O padeiro Josiel Donizete da Silva, 39 anos, já fala até em compartilhar caronas entre colegas depois que o loteamento for inaugurado. Mostra de que a ação de responsabilidade social pode acabar rendendo bons frutos também ao meio ambiente. ''Será como um condomínio fechado'', compara o funcionário, casado e pai de uma adolescente. ''Se outros empresários tivessem esse tipo de visão não dependeríamos só do governo. Já entrei em fila de órgão público para conseguir uma casa, mas nunca me chamavam.''
O secretário da Associação de Funcionários da LCA, Márcio Aparecido Lopes, lembra que o empreendimento é especialmente benéfico num município onde, apesar do pequeno porte, ''não se encontra casa para locar e, quando há, o aluguel é muito caro''. (V.N.)





