Colegas de Postarek silenciam sobre caso
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de maio de 1997
Dary Júnior Sucursal de Curitiba 
Os dois homens que acompanharam Rogério Postarek na viagem a Ortigueira fazem silêncio sobre o caso. O que eu tinha a dizer consta no relatório entregue ao meu superior, resume o agente Renê Roters, do 7º Distrito Policial de Curitiba. O documento está com o delegado Fauze Salmen e não há qualquer menção de abordagem ou agressão ao ex-prefeito de Mauá da Serra, Inácio Mendes Filho. Nosso policial foi a passeio, afirmou.
De acordo com o relatório de Roters, ele teria sido convidado por Postarek a visitar alguns amigos em Nova Londrina, na região Noroeste do Estado. Como o policial tinha dois dias de folga, aceitou fazer a viagem. Funcionário licenciado da Assembléia Legislativa, Edenílson Ferri, também recebeu o convite e viajou. Na volta, eles passaram por Ortigueira, onde o segurança cobraria uma dívida de Inácio Mendes Filho, contou Salmen.
O policial relatou que ele, Postarek e Ferri estavam em um posto de gasolina à espera do ex-prefeito de Mauá da Serra, por volta de 9 horas do dia 14. Inácio compareceu ao encontro e saiu com o segurança. A demora no retorno do amigo teria deixado Roters desconfiado a ponto de comunicar o fato à delegacia de Ortigueira. Salmen conclui: É tudo o que temos no relatório. As mesmas informações foram prestadas no dia do crime, em forma de declaração, na delegacia de Ortigueira.
A Folha apurou que o funcionário da Assembléia Legislativa, Edenílson Ferri, mais conhecido como Touca, está licenciado para tratamento de saúde, por pelo menos dois meses, conforme revelou uma atendente do departamento pessoal da Assembléia. Mesmo assim, ele circulava pelo prédio do legislativo estadual ontem. Foram deixados vários recados para que o funcionário entrasse em contato com o jornal, mas não houve retorno.
O Instituto Médico Legal de Curitiba deve receber hoje o laudo sobre a morte de Rogério Postarek. A necrópsia foi feita pelo médico-legista Luiz Fernando Silveira de Andrade. Ninguém do órgão soube informar por quê o corpo do segurança foi encaminhado para Curitiba em vez de ser removido para posto do IML de Londrina, mais próximo a Ortigueira.
O Instituto de Criminalítica de Curitiba informou que a seção técnica em Ponta Grossa faria o exame de balística. Esta, por sua vez, informou que Londrina faria a análise. Em Londrina, policiais disseram não ter recebido nenhum material para análise, até ontem à tarde.


