Colecionar telecartões é nova mania
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 1997
Josiane Schulz Londrina 
Paulo WolfgangObjetos do desejoAlguns dos cartões telefônicos indutivos mais raros e cobiçados: lei da oferta e procura valoriza exemplares e atiça os colecionadoresUm nova mania está tomando corpo no Brasil e conquistando adeptos das mais diferentes idades: a telecartofilia. Esse hobby está dando um destino nobre para os cartões telefônicos, que frequentemente iam parar no lixo, além de transformá-los em peças caras. É isso mesmo: aquele cartão usado, que muitas vezes se perde dentro da carteira, pode valer até R$ 1,5 mil, se estiver entre os mais procurados.
A telecartofilia está, aos poucos, conquistando espaço invejável na lista dos objetos colecionados. Tanto, que já formou-se um mercado e existem pessoas que vivem da compra, venda e troca de cartões telefônicos. Mais ainda, existem no Brasil três lojas de telecartofilia e várias home pages na Internet sobre o assunto.
Em Londrina, o hobby também conquistou colecionadores. Um deles é o cabeleireiro Cícero dos Santos. Há seis meses ele começou sua coleção, que tem hoje 550 cartões com estampas diferentes. Além disso, Santos guarda um estoque de 800 cartões repetidos para vender e trocar. O cabeleireiro acredita que sua coleção deve valer R$ 2 mil. Se dizendo apaixonado pela coleção, ele observa que reluta muito quando outro colecionador tenta comprar uma de suas peças. Mas não nega que a venda de cartões é um bom negócio.
Segundo ele, qualquer cartão tem valor de comércio, mesmo os mais comuns. Santos explica o funcionamento do mercado da telecartofilia. O valor do cartão usado é 50% menor que o cheio (sem uso). Existem cartões raros e muito procurados, que, pela lei da oferta e da procura, são muito valorizados. Um cartão comum e usado vale R$ 0,50. Agora o cartão do Romário e do Mico-Leão-Dourado cheios podem chegar a R$ 1,5 mil na negociação, explicou.
Nessa onda de compra e venda de cartões telefônicos para colecionadores, Santos chegou a comercializar em um dia R$ 85,00, o mesmo valor que receberia por 10 cortes de cabelo. Ele contou também que os cartões internacionais não têm valor. O único que é procurado é o do jogador de futebol Zico, confeccionado no Japão, e vale R$ 400,00. Nem os cartões do Senna, que têm no Japão e nos EUA, têm valor, disse.
Entre os cartões mais procurados, segundo Santos, está um londrinense: o da inauguração do autódromo de Londrina. Ele afirma já ter visto negociações em torno de um exemplar desse cartão. Eles falavam em R$ 600,00, afirmou. Investimentos na coleção também são necessários. Santos gastou na compra de cartões de outros colecionadores, principalmente de outros estados, R$ 700,00. Além disso, ele liga frequentemente para a empresa telefônica de Londrina, a Sercomtel, e pergunta se chegaram novos cartões. O cabeleireiro jura que até o presidente Fernando Henrique Cardoso é colecionador: Ele adquiriu recentemente uma coleção completa, garantiu.
O funcionário da Sercomtel José Antônio da Silva entrou para o rol dos fanáticos por cartões telefônicos há dois anos. Foi impulsionado pelo número de telefonemas que atendeu de colecionadores atrás de novas aquisições. Agora tem contato com colecionadores de todo o país e é sócio das três lojas especializadas.
Para ele, as lojas tem muitas vantagens. Como pertencem a empresas de telefonia, o preço dos cartões é o real. Ou seja, varia entre R$ 1,20 e R$ 5,40, conforme o número de créditos. Ele explicou o porquê do cartão do Romário ser tão caro. Segundo Silva, esse cartão foi feito por uma empresa do exterior, ainda na época dos testes com telefone público a cartão. A tiragem é mínima e é um dos mais antigos, disse. É um cartão magnético, como o dos bancos, e atualmente incompatível com nosso sistema, que é de tecnologia indutiva.
Silva tem 460 cartões em sua coleção e 500 para troca. Ele é um dos felizes portadores de diversos cartões raros. Entre eles, o do autódromo de Londrina e do mico-leão dourado, que já tiveram compradores potenciais e diversas propostas. Silva vai continuar investindo na coleção. É um excelente hobby, através dele também fiz muitas amizades.


