Colecionador põe objetos à venda
Uma vida inteira juntando tudo o que é tipo de coisa: desde moedas e notas antigas até relógios, máquinas fotográficas, bombas de água para fazenda, estribo de cavalo, espora, cartucheiras, revólver, fotos e muito mais. Assim foi a vida do paulista Felício César Marconi, 57 anos, há mais de 40 morando em Londrina. Depois de décadas como colecionador compulsivo, esse ano ele resolveu dar um basta: pretende vender tudo o que tem e espera que algum empresário possa comprar os bens mais valiosos e doá-los para um museu.
Entre as peças guardadas por Marconi, estão preciosidades como um protótipo francês do revólver Smith & Wesson, segundo ele fabricado por volta de 1850. A arma, que está em perfeito estado de conservação, tem calibre 44 e capacidade para cinco tiros. Era de um colecionador francês que deu para um armeiro, em troca de dívidas. Esse armeiro passou para outro, de Rolândia, que vendeu para mim. Na época, 1970, paguei quatro mil cruzeiros, diz Marconi, que também tem duas cartucheiras fabricadas por volta de 1930.
O colecionador tem ainda uma adaga, espécie de baioneta fabricada no Rio Grande do Sul e, segundo ele, utilizada pelos gaúchos na época da Guerra dos Farrapos. Outra raridade: um rebenque, espécie de chicote feito de chifre de boi, ouro e prata. O instrumento, fabricado no Uruguai, teria aproximadamente 200 anos de idade.
E tem mais: uma vitrola portátil da marca Eagle, fabricada logo após a Segunda Guerra, em 1945. Consegui de um filho de japonês, em Assaí, há mais ou menos 20 anos, revela. A vitrola está em ótimo estado de conservação e funciona até hoje: basta girar a manivela exatamente 57 vezes que é possível tocar um disco inteiro.
O valor dos objetos, diz o colecionador, varia conforme a raridade. Ele acredita que consiga US$ 4 mil pelo revólver, US$ 2 mil pelo rebenque, outros US$ 2 mil pela adaga e US$ 700 pela vitrola. Queria muito que alguém se interessasse e pudesse, depois, doar o material para o museu de Curitiba ou de Londrina, comenta.
Felício Marconi diz que a mania por colecionar objetos começou quando ainda era garoto, em Itápolis, cidade próxima de Araraquara, interior de São Paulo. Conheci a história dos ladrões de cavalo da minha terra. Fiz pesquisa, estudei. Depois, me interessei por coisas antigas e comecei a colecionar. Tinha 14, 15 anos, recorda. Mas só depois que casei, em 1971, é que a coleção aumentou.
O colecionador revela que a coleção era muito maior e ocupava praticamente todos os cantos da casa onde mora, no jardim Petrópolis (zona sul). Tanto que a família insistiu para que ele se desfizesse dos objetos. Sobre o motivo da venda da nova leva da coleção, ele diz que um dos problemas é a falta de dinheiro. Mas não é só: O museu é público. Não adianta ter um Van Gogh dentro de uma gaveta.Josoé de CarvalhoDesejoFelício Marconi passou a vida inteira juntando objetos: Quero muito que alguém se interesse pela coleção para comprá-la e doá-la a um museuLúcio Horta





