Colecionador entrega 180 armas à PF
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sábado, 18 de dezembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Uma coleção com mais de 180 armas foi entregue ontem à Polícia Federal (PF) de Londrina, em prol da campanha federal pelo desarmamento. As armas pertenciam ao empresário londrinense Airton de Jesus Araújo, que investia na coleção há quase 40 anos. Como ressarcimento, promovido pelo Planalto como incentivo à entrega de armas, Araújo deve receber mais de R$ 18 mil. As armas serão encaminhadas ao Exército para destruição.
As armas foram levadas pelo empresário em uma caminhonete, embaladas e desmuniciadas. A coleção, iniciada com uma pequena quantidade de armas recebidas do pai em 1965, era mantida em uma propriedade rural em Tamarana (62 km ao Sul de Londrina) e foi avaliada pelo empresário em cerca de R$ 400 mil. Por cada arma em funcionamento, Araújo deve receber entre R$ 100 e R$ 300.
A princípio, a avaliação do valor da coleção feita pelo empresário pode parecer otimista. Mas se pelo menos parte das histórias contadas por Araújo for verdade, o valor cultural da coleção pode ser realmente grande. Entre as armas entregues, garruchas (revólveres feitos artesanalmente, muito utilizados por cangaceiros) decoradas com prata e madrepérola, pistolas usadas pelo exército alemão durante a 2 Guerra Mundial e um bacamarte (espingarda) que Araújo garante: foi de Virgulino Lampião. ''Troquei por duas cabeças de gado com um nordestino que esteve em Londrina há uns 15 anos. É a arma mais antiga da coleção, deve ter entre 80 e 100 anos'', afirmou.
A coleção já foi, inclusive, objeto de reportagem da Folha de Londrina, há exatos 24 anos. Araújo carrega com orgulho a página do jornal em que várias fotos de parte do armanento estão estampadas. ''Na época, tinha 130 armas. Sempre gostei de colecioná-las e, enquanto tive dinheiro, continuei a comprar mais exemplares'', disse. Entre as poucas peças que o empresário pretende manter, está um sabre que, segundo ele, teria sido utilizado por Dom Pedro II às margens do Rio Ipiranga, no Grito de Independência. ''Tem uma inscrição dizendo 'glória ao imperador'. Já me ofereceram R$ 100 mil por ele, mas eu não vendo'', afirmou.
Com o tempo, o interesse pela coleção diminuiu e Araújo passou a gastar cada vez menos com a compra de armas. A última unidade, uma garrucha prateada, foi comprada há cinco anos. ''Decidi entregá-las porque tinha medo de ser assaltado. E como a campanha estava sendo bem divulgada, resolvi trazê-las para a polícia. Além do mais, um bom tempo que eu não comprava uma nova arma para a coleção'', explicou o empresário, mostrando-se triste, mas aliviado com a entrega.
Segundo o delegado-chefe da PF em Londrina, Sandro Viana dos Santos, cada arma será protocolada em quatro vias. Posteriormente a coleção será enviada para a sede da PF em Curitiba, onde o armamento será periciado e desmontado. O Exército ficará encarregado da destruição. Ainda de acordo com Santos, até a manhã de ontem a PF já havia recebido 2,3 mil armas em Londrina. A campanha segue até o dia 23 deste mês. ''Para fazer a entrega, basta a pessoa nos comunicar da intenção, retirar a munição e embalar a arma'', avisou.


