A adolescente Susane Lopes Hasuda, 17 anos, é portadora de paralisia cerebral. Ela tem dificuldades para controlar seu movimentos, não escreve utilizando caneta, nem se alimenta ou se locomove sozinha. Ainda assim, ela conseguiu escrever um livro, contando um pouco de sua história. Com a ajuda da mãe Fabiana Cavalcante Lopes e algumas adaptações no computador, Susane consegue se comunicar pela internet e já deu início à sua segunda obra auto-biográfica.
Entre as inúmeras dificultades enfrentadas por Susane, está um exercício de cidadania, que é o voto. Segundo a mãe de Susane, no último plebiscito ela ficou feliz em poder estar diante de uma urna, mas quase não conseguiu. ''Os fiscais não queriam que eu fosse com ela votar, mas sozinha ela não consegue. Se houvesse um teclado diferenciado, adaptado para pessoas como ela, a Suse conseguiria votar sozinha'', diz a mãe.
As peças do computador de Susane, teclado e mouse especiais, só foram localizadas em São Paulo, depois de muita procura. ''Existe um outro teclado cheio de recursos, mas só existe nos Estados Unidos e é muito caro. Hoje ela já não precisa mais porque já consegue utilizar esse que ela tem, mas já passamos por bastante dificuldades por falta desses recursos'', conta Fabianaa.
O fisioterapeuta José Giuliangele de Castro, 36 anos, é cego. Ele sofreu um acidente de carro quando tinha 22 anos e teve perfuração bilateral nos olhos. Ele se queixa da dificuldade de encontrar objetos simples. Para encontrar um relógio especial para cegos, com aúdio, ele teve que procurar em São Paulo. ''São materiais de pouca qualidade, que só são encontrados em lojas como o Camelódromo. Qualquer chuva que ele toma, estraga e eu tenho que comprar outro'', reclama.
Para o fisioterapeuta, que circula todos os dias pelas ruas da cidade, as barreiras ainda são muitas. ''Acredito que num futuro próximo os deficientes terão mais condições, mas hoje em dia ainda é tudo muito difícil'', diz. (F.B.)

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