Marcos NegriniOfendidaMaria Madalena de Jesus, 79 anos, e a filha Celina: ‘‘Considero isto (o erro do INSS) um insulto’’Por causa da morte, no dia 8 de janeiro, de uma pessoa com o mesmo nome (homônima), a pensionista Maria Madalena de Jesus, 79 anos, de Maringá, foi impedida de receber os R$ 120,00 a que tem direito mensalmente. O banco encarregado de fazer o pagamento da pensão do INSS para Maria Madalena (o Banespa), apresentou à filha dela, Celina Ferreira Silva, 36 anos, a certidão de óbito de sua mãe.
O caso aconteceu na manhã de terça-feira e ontem o Posto de Seguro Social do INSS de Maringá reconheceu o erro do sistema e fez o pagamento da pensão à viúva. ‘‘Deixei minha mãe viva em casa e quando vi a certidão de óbito dela no banco fiquei sem pernas para ir embora’’, lamentou Celina. Sem saber o que fazer, ela voltou para casa, no Conjunto Ney Braga, onde mora com a mãe. No dia seguinte, foi à uma emissora de televisão de Maringá, que a encaminhou junto com a mãe ao posto do INSS.
A chefe do posto, Marlene Morimoto, comparou os dados da pessoa morta com os de Maria Madalena. A Maria Madalena de Jesus que morreu estava com 86 anos - nasceu em 7 de setembro de 1911, em Ilicinéia, Minas Gerai. A mãe dela também se chamava Maria Madalena de Jesus.
A Maria Madalena de Jesus que foi impedida de receber a pensão nasceu em 27 de setembro de 1920, em Bom Repouso, Minas Gerais, e sua mãe também se chamava Maria Madalena de Jesus. Segundo Marlene, a coincidência dos nomes das mães e filhas confundiu a Central de Dados do INSS. ‘‘Além desta, temos mais quatro pensionistas chamadas Maria Madalena de Jesus no posto de Maringᒒ, informou Marlene.
Desfeito o engano, Maria Madalena recebeu a pensão a que tem direito. Chorando, disse à Folha que foi insultada pelo governo. ‘‘Considero isto um insulto. Estou viva e bem viva. Costuro até hoje. Mas não quero viver tanto quanto minha mãe, que morreu três dias antes de completar 100 anos de idade’’.
A filha Celina contou que sua mãe não consegue dormir há 46 anos, quando um temporal derrubou o telhado de uma casa em que moravam em Maringá. ‘‘Ela ficou traumatizada e desde então passa as noites completamente acordada. Já fomos a vários médicos mas não adianta. Ela come só uma vez por dia e bem pouquinho’’.
Maria Madalena tem nove filhos, 15 netos e 10 bisnetos. Seu marido, Antônio Ferreira da Silva, agricultor, morreu em 1981 de infarto, aos 70 anos de idade. ‘‘Me transformei numa coruja. Não durmo à noite, enxergo bem e aproveito para costurar’’, afirmou a pensionista.

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