Cambé - A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) vai despejar quatro famílias da Vila Rural João Inocente em Cambé (13 km a oeste). Os moradores estão inadimplentes há vários anos e a Cohapar afirma que já tentou negociar com os vileiros quando o problema começou, mas não teve resposta.
Carlos Fernandes da Veiga, advogado de vários mutuários da Cohapar, afirma que gostaria de abrir um espaço para negociar. ''Não há diálogo'', declara. Uma de suas clientes, Sebastiana Cândida de Jesus, 65 anos, já recebeu a visita de um oficial de justiça que deu prazo de 15 dias para ela se retirar amigavelmente da vila rural.
O filho de Sebastiana, Roberto das Neves, explicou que as prestações estão atrasadas porque tanto ele quanto sua mulher tiveram problemas de saúde e não puderam trabalhar. Hoje, eles estão empregados e poderiam resolver o problema. ''Se a Cohapar parcelar a gente consegue pagar'', diz.
Mas segundo o gerente regional da Cohapar, Olavo Arruda Campos, não há mais negociação. ''Ela (Sebastiana) recorreu e perdeu na Justiça''. Olavo Campos afirma que já existe até uma família que vai ficar no lugar de Sebastiana.
Outro ameaçado de despejo é José Verdugo. Ele mora há pouco mais de um ano na vila e, segundo o advogado Carlos da Veiga, Verdugo comprou ''na boa fé'' os direitos de residir no local de outro vileiro. O problema é que é proibida a venda de lotes na vila rural e quando seo José foi até a Cohapar para pagar as prestações e passar o terreno para seu nome recebeu a informação de que a transação era ilegal. O processo dele ainda está na Justiça. ''Quero pagar tudo direito mas só quando estiver no meu nome'', afirma. Ele cultiva diversas espécies de plantas medicinais e frutas como maçã, banana, amora e manga. ''A única coisa para vender aqui é a cana que eu plantei para fazer garapa'', conta.
A vila rural de Cambé é composta de 34 lotes de cinco mil metros quadrados cada. Cada lote tem uma casa de 44m2 que pode ser ampliada com recursos do mutuário. O objetivo do projeto é devolver a população rural para o campo. Os moradores tem 25 anos para pagar o lote e as prestações hoje custam R$ 32 reais.

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