Cohapar prepara famílias para mudança
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoÚltimos diasCrianças brincam em uma favela instalada em um fundo de vale na periferia de CascavelAs famílias faveladas que vão deixar os barracos para ocupar casas especialmente construídas em municípios do Oeste passaram por reuniões de preparação para a mudança. Elas são beneficiadas pelo Programa de Desfavelamento da Secretaria Estadual de Habitação, através da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), em parceria com os municípios.
Segundo a chefe da Cohapar em Cascavel, Carmem Lúcia Junqueira de Carvalho, há muita diferença entre morar em barraco e em casa decente, daí a necessidade de adaptar as famílias para que assumam a nova condição.
Isso implica em preservar as casas, manter higiene e criar uma nova forma de convivência, afirma, explicando que o trabalho com as famílias foi precedido de um levantamento sobre sua condição de vida.
Até 30 anosA assistente social Etelda Matsen, envolvida no programa de preparação, frisa que o saneamento básico e a saúde também merecem atenção.
Segundo ela, os moradores devem saber que muitas doenças que hoje os atingem poderão ser evitadas. Ele exemplifica com as verminoses resultantes de dejetos fecais ou esgotos de pias. As casas em alvenaria terão água tratada e sanitários, além de energia elétrica.
As reuniões com as famílias foram realizadas em São José das Palmeiras, Arroio Guaçu (município de Mercedes), Vera Cruz do Oeste, Missal e Catanduvas, e ontem em São Miguel do Iguaçu. Em todo o Oeste paranaense estão sendo construídas 214 moradias, de 31 metros quadrados, parte do total de 2,3 mil em todo o Estado.
Cada família pagará prestação entre R$ 14,00 e R$ 23,00, dependendo da faixa de renda, e com prazo entre 24 e 30 anos.
A maior parte das favelas que serão desocupadas está em áreas de fundo de vale ou mananciais que serão submetidas a programas de recuperação e preservação.
Em Mercedes, quatro das onze famílias estão em barracos à margem de um braço do Lago de Itaipu. A prefeitura quer implantar no local uma praia artificial, segundo o prefeito Celso Weiss (PFL). O município, de apenas 4,48 mil habitantes, sofreu o impacto do êxodo rural nos últimos anos.
Êxodo ruralA situação é comum aos demais municípios envolvidos na primeira fase do Programa de Desfavelamento. A mecanização da agricultura, com substituição da mão-de-obra ou de culturas nas quais era exigida, forçou a migração para as cidades. Os contingentes que migraram não são expressivos, mas representam grandes problemas para cidades pequenas, que não conseguem oferecer-lhes assistência social ou empregos.


