Paulo WolfgangDificuldadesO subprefeito do distrito, Denilson do Nascimento, afirma que a maioria dos invasores é bóia-fria e alerta que a oferta de trabalho e de cestas básicas é escassaDe acordo com o projeto de Vila Rural do governo do Estado, a área de 16,5 alqueires no distrito de Lerroville será transformada em lotes de cinco mil metros quadrados para cada uma das 55 famílias.
A chefe-regional da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Maria de Fátima Casagrande, refuta as acusações dos bóias-frias de que o projeto esteja atrasado. Segundo ela, o terreno foi adquirido em outubro do ano passado, o projeto foi concluído e para breve está previsto o início da construção das casas.
Fátima Casagrande informa que mais de 100 pessoas se cadastraram para o projeto, o que não significa que elas já têm direito garantido. Ainda será realizada uma pré-seleção, visitas domiciliares para, então, serem escolhidas as 55 famílias beneficiadas. Entre os requisitos necessários, estão morar há mais de três anos no distrito e ser comprovadamente bóia-fria.
A chefe da Cohapar foi avisada da invasão pelo subprefeito do distrito, Denilson do Nascimento. Ontem de manhã, eles estiveram visitando o local e conversando com os bóias-frias. Segundo ela, existe a possibilidade deles também se cadastrarem para o projeto.
Durante a visita, Denilson do Nascimento comprovou que a maioria dos invasores é bóia-fria. ‘‘A situação deles é mesmo difícil’’, reconhece. Segundo ele, a diária de um trabalhador volante varia de R$ 5,00 a R$ 7,00. ‘‘Mas ultimamente eles estão encontrando pouco trabalho.’’
Sobre a reclamação dos invasores de que a subprefeitura não oferece cesta básica para quem necessita, Denilson do Nascimento informa que, mensalmente, dispõe apenas de oito a 10 unidades. ‘‘A gente faz um rodízio todos os meses para poder atender os mais necessitados.’’ Além disso, ele diz que com a ajuda de um padre, diariamente, é servido um sopão para crianças e adolescentes carentes. ‘‘São de 60 a 70 pessoas que tomam o sopão todos os dias’’, afirma.
O subprefeito diz que não pedirá a retirada dos invasores do terreno. ‘‘Não sou eu quem determina isso’’, resume. Por causa da invasão, ele diz que ontem foi procurado por várias pessoas preocupadas com a situação. ‘‘Elas perguntaram se tinham que invadir o terreno para garantir um lote, mas eu disse que isso não é a maneira correta de resolver o problema’’, explica.
Denilson Nascimento acredita que o projeto da Vila Rural vem de encontro às necessidades do distrito. Ele conta que em Lerroville são 5.500 habitantes, sendo que a metade é formada por bóias-frias. (L.O.)

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