Cohapar irá financiar casas para famílias de invasão
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - Uma parceria entre a prefeitura de Cascavel e a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) possibilitará o financiamento de 250 moradias para as famílias que ocupam de forma irregular terrenos do Loteamento São Cristóvão, no Jardim Gramado. O anúncio foi feito aos moradores pelo prefeito Edgar Bueno (PDT), depois de contato com o presidente da Cohapar, Luiz Cláudio Romanelli.
O loteamento, que abriga atualmente 285 famílias, pertence à empresa Transcontinental Empreendimentos Imobiliários e Administração de Créditos Ltda e foi ocupado em fevereiro de 1999. Para resolver o problema, a prefeitura já havia feito acordo com a Transcontinental para oferecer uma nova área com infra-estrutura às famílias, localizada nas proximidades dos bairros Floresta e Jesuítas.
Para a construção das casas, a Cohapar idealizou um projeto-piloto que será assinado até o dia 25 de fevereiro e que terá recursos da Caixa Econômica Federal. Ainda serão definidas as bases do financiamento proposto pela Cohapar, mas é quase certo que cada família terá direito a, aproximadamente, R$ 6,5 mil. Parte deste valor, R$ 4,5 mil, virá a fundo perdido e o restante poderá ser parcelado pelo mutuário. A prestação mensal não deverá passar de R$ 20,00. A construção do conjunto deve começar num prazo de 30 a 60 dias, sendo que as famílias poderão fazer a mudança ''em no máximo quatro meses''.
Para o líder comunitário, Sílvio Gonçalves, a única questão pendente será a definição das 208 famílias que ocuparão o futuro conjunto, ''que será uma tarefa para a própria comunidade'', disse.
O projeto prevê a construção de 250 unidades, mas das 285 famílias que permanecem na área do Jardim Gramado, 35 já mostraram interesse em permanecer no local, adquirindo os lotes diretamente da empresa Transcontinental. Restam então 42 famílias que, segundo o líder comunitário, poderiam ser contempladas pelo Município com a doação de uma outra área ou de lotes individuais.
Os terrenos localizados no Jardim Gramado estavam desocupados há cerca de 30 anos. Em fevereiro de 1999, 310 famílias invadiram a área. Em 19 de maio do mesmo ano, a Justiça concedeu a reintegração de posse à empresa proprietária. A ordem para o despejo dos ocupantes chegou a ser dada pelo Governo do Estado à Polícia Militar, mas o Governo Municipal e a própria Transcontinental intervieram para que a ação fosse evitada, já que as negociações para aquisição da nova área estavam em andamento.


