ReproduçãoPose forçadaMoradora fotografada em frente ao barraco, com filho no colo: placa contém nome e dados do lote invadidoNa tentativa de rastrear invasores profissionais, a Prefeitura de Foz do Iguaçu iniciou há três semanas o Cadastramento de Aglomerados Subnormais que, ao pé da letra, significa ‘‘levantamento de dados de amontoados abaixo da normalidade’’. O termo usado e o mecanismo do levantamento caíram como uma bomba dentro na cidade.
No cadastramento, o presidente da Cohafoz, Edson Stumf, obriga o sem-teto a posar para uma câmera fotográfica com uma plaqueta pendurada no pescoço, em que constam dados pessoais e o terreno ocupado pelo invasor. Essa mesma prática é comum na Polícia Civil, para identificação de criminosos, e lembra os métodos usados durante o regime militar.
Na ficha de Cadastramento de Aglomerados Subnormais constam dados sobre a forma de invasão, se o sem-teto comprou o terreno onde está armado o barraco, através de que pessoa o indivíduo recebeu informações sobre a ocupação e um mapa da localização do terreno.
A sem-teto Marina Dalomolin, uma das cadastradas, diz que foi humilhada durante o cadastramento. Segundo Marina, um assessor do vice-prefeito Paulo Mac Donald (PDT), conhecido como Valdir, teria obrigado ela e as vizinhas a posar para fotos durante o levantamento de dados.
‘‘Não foi um pedido. Foi uma ordem. Ninguém escapou das fotografias. Parecíamos bandidos enfileirados em frente aos barracos. Cada um com uma placa pendurada no pescoço ou nas mãos’’, denuncia.
O presidente da Cohafoz justifica o cadastramento feito até agora em seis áreas invadidas como ‘‘uma forma de preservar as pessoas de bem’’. ‘‘Nós não vamos poupar invasores profissionais. Se repetir a foto de alguém nas invasões, nós vamos tirar à força e terão que responder na Justiça’’, diz.
O vereador Assis Paulo Sepp (PT) classifica a atitude como ‘‘nazista’’. Ele diz que estuda a abertura de uma Comissão Especial na Câmara para investigar os funcionários da Cohafoz e responsabilizar o assessor do vice-prefeito por abuso de autoridade.

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